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Artigos

“Fachadas da Espanha”, do poeta iraquiano Salah Niazi

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Salah Niazi, é o último autor vivo dentre os grandes poetas iraquianos da geração dos anos 1950, que tiveram um importante papel no processo de modernização da poesia árabe contemporânea.

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Brasileiros e libaneses: como começou essa história?

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Montado em uma égua branca, que fazia lembrar a figura de um cavaleiro medieval, e acompanhado de uma comitiva de 200 pessoas (entre elas, barões, viscondes, baronesas, damas de honra...), o segundo e último imperador do Brasil resolve, em 1876, realizar um sonho de adolescente: conhecer quatro países do Oriente Médio, entre eles o Líbano.

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O Islã: movimento salafyia e salafin

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Com o andamento das eleições no Egito, em decorrência da primavera árabe, e em vista dos resultados já divulgados que indicam a vitória de uma maioria de inspiração religiosa - Fraternidade Muçulmana e Movimento Salafista -, aproveitei a oportunidade e fui buscar na minha pasta “O Islã e suas seitas” algo sobre o “Movimento salafyia e salafin”.

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O Oriente que falta em Paul Bourcier

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Essa resenha é um estudo crítico do trabalho mais famoso de Paul Bourcier, a fim de situá-lo dentro de um debate historiográfico que inclua a história da dança oriental, sobretudo porque ele já a delimita fora de seu campo (no título), mas curiosamente não resiste a integrá-la em seu repertório (nos primeiros capítulos).

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Palestina, bem vinda à Unesco

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Por 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções, a Palestina foi admitida na Unesco, no final da Assembleia Geral da instituição. A decisão foi seguida de gritos de “Viva a Palestina”, ao final de uma sessão tensa, pela oposição dos EUA, do Canadá, da Alemanha e de alguns outros países, que não teve sucesso porque na Unesco não existe o direito de veto das velhas potências, que bloqueia decisões democráticas da maioria, como esta, tomada ontem.

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Eleições na Tunísia: integridade pessoal e credibilidade mais importantes que ideologia

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A campanha eleitoral está em pleno vapor na internet, no facebook, nos jornais. Os candidatos já estão na estrada, fazendo discursos e participando de encontros com o público.

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Uma Palestina internacionalmente reconhecida é de interesse de Israel

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Uma Palestina internacionalmente reconhecida é de interesse de Israel
por José Farhat
Agora que o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas desafiou Estados Unidos e Israel, ao apresentar o pleito de reconhecimento da Palestina como membro pleno da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon que o levará ao Conselho de Segurança e, apesar de toda a pressão internacional, é provável que os Estados Unidos exerçam o poder de veto pela enésima vez contra os palestinos e a favor dos israelenses e voltará o pedido para análise pela Assembléia Geral, creio ter chegada a hora, mais uma entre tantas através dos últimos 63 anos, de fazer uma pergunta.
Será que uma Palestina internacionalmente reconhecida não é de sumo interesse, também, para Israel e israelenses?
Antes de tudo, palestinos e árabes não vão parar por aqui, qualquer que seja o resultado final da ação corajosa de Abbas. A começar porque os palestinos lutam por aquilo que lhes pertence de fato e de direito, peito aberto e pedras na mão enquanto que os israelenses querem manter o que tomaram ilegalmente a força, num projeto colonial travestido de reivindicações religiosas, com armas sofisticadas e o terceiro ou quarto maior exército do planeta.
A iniciativa palestina, com certeza, conta com o apoio da maioria dos países membros da ONU, enquanto Israel se isola cada vez mais e continua sufocando a si mesmo num ambiente hostil que o cerca e só pode ser levantado através de uma Palestina livre, com fronteiras definidas e defensáveis. A reação da platéia que ouviu os discursos de Abbas e do Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu é prova inclusive do isolamento de Israel; o primeiro foi ovacionado em pé enquanto que o outro, deu para ver, só não foi vaiado por ser comportamento inadmissível no âmbito da Assembléia Geral.
Será que não ocorre aos israelenses constatar que o reconhecimento mundial, estado por estado, de fronteiras definidas para a Palestina significa também automaticamente o reconhecimento dos limites do próprio estado de Israel, inclusive pelos 22 estados árabes? Se ganharem o reconhecimento de suas fronteiras pelos árabes, não seria também um reconhecimento implícito do estado israelense pelos árabes, um caminho curto e possível de obter uma convivência normal com admissão explícita do vizinho pelos árabes? 
Se o conflito palestino-israelense já está esgotando a paciência da comunidade internacional, a simpatia maior recai sobre a Palestina enquanto Israel assume posturas que só levam à antipatia crescente durante os últimos 63 anos.
Mesmo que a Palestina não consiga no Conselho de Segurança a sua admissão plena, na Assembléia Geral certamente contará com dois terços de aprovação de seu pleito e será elevada à categoria de estado não membro o que lhe abrirá as portas de muitos foros internacionais legais incluindo a Corte Internacional de Justiça e a Corte Criminal Internacional. Os palestinos, na prática, poderão levar seus casos contra as autoridades israelenses. Israel, com todas as suas armas, se verá obrigado a responder, por exemplo, pela expansão dos assentamentos na Cisjordânia, considerada ilegal pela comunidade internacional.
As negociações pleiteadas por Netanyahu e Barack Obama e alguns governantes internacionais antes do reconhecimento do estado palestino não levou a lugar algum nos últimos 17 anos. É absolutamente tendencioso e humilhante continuar a negociar, Israel em seu pedestal atrás de suas forças armadas e a Palestina, ainda por ser reconhecida, representada por meia dúzia de governantes que perderam as últimas eleições para o Hamas, eleito pela maioria dos palestinos. Nada contra a iniciativa de Abbas e seu Fatah, mas apenas queremos salientar como a democracia que se quer para os palestinos é relativa e adjetivada – o que a torna não democracia. As finanças dos palestinos estão em mãos do Tesouro de Israel que arrecada os impostos e a ajuda estadunidense condicionando a aceitação de negociações colocam os palestinos numa camisa de força, levando-os ao que Israel e Estados Unidos consideram, junto com seus poucos aliados, o extremo de recorrer à ONU em busca de reconhecimento.
Israel nega a legitimidade da ONU para decidir sobre o futuro dos palestinos, fingindo esquecer que é exatamente com base na metade e não na totalidade de uma decisão da Assembléia Geral que se considera um estado revestido de legalidade.
Retirando dos palestinos, agora e durante os últimos seis e poucos decênios, seu poder de barganha para levá-los à inútil mesa de negociações esquecem os israelenses que durante decênios se recusaram a negociar dizendo que não tinham interlocutor para negociações. Se Yassir Arafat ora servia ora não, porque Abbas agora serve, mas somente se desistir de reivindicar a paralisação da extensão dos assentamentos? Onde está a lógica a não ser na continuidade do programa de ocupação da terra palestina e da procura dos votos dos cidadãos estadunidenses que Obama anseia por conquistar para se reeleger?
Ao torpedearem o pleito dos palestinos agora, vale a pena repisar mais uma vez, Israel e Estados Unidos estarão deixando de garantir para o primeiro um Estado de Israel seguro, judeu e democrático, como querem, não lembrando que a solução de dois estados é muito mais a favor de Israel que dos palestinos. Para estes, a solução de um só estado para dois povos é muito mais favorável, no presente e no futuro, pois se olhado simplesmente do ponto de vista demográfico, os palestinos superarão os israelenses em prazo de poucos anos. Os palestinos sabem que se não conseguirem agora o seu pleito, as únicas alternativas o seu alcance são: brigar pelos direitos humanos e terem o apoio de todo o planeta e passar a lutar pela solução que lhes é mais favorável que é um estado só; e Israel, com o comportamento imoral e ilegal que vem demonstrando, será a garantia de a Palestina, em toda a sua extensão, terá o apoio que atualmente a maior parte do planeta dá à atual reivindicação palestina.
É inegável que o reconhecimento da Palestina, conforme pede agora Abbas, é de suma importância para Israel. O estado hebreu terá lucros morais e estratégicos, não será mais visto como um Golias que abusa de sua força contra um David desarmado, sem estado, eterna vítima. Netanyahu, os partidos que o apóiam e todos os israelenses deveriam vislumbrar que a Palestina, ao se transformar num estado pleno, levará a briga atual de desiguais em contenda entre dois estados soberanos com tudo o que isto pode representar de vantagem, tanto na guerra quanto na paz. A Palestina será responsável por seus atos e não os atores atuais portadores das carteiras de identidade a que se referia Mahmoud Darwish, o poeta palestino maior. O Estado da Palestina poderia ser levado às cortes internacionais de justiça e ao próprio Conselho de Segurança da ONU pelo menor ato de beligerância.
Israel está preferindo ver os poucos aliados que lhe restavam, como a Turquia e o Egito, se afastarem cada vez mais de qualquer tipo de parceria. A Primavera Árabe, e não é difícil perceber, também não está sendo dirigida somente contra seus governantes pelos atos e omissões que vêm cometendo, mas também pela associação com os Estados Unidos que representa nada mais nada menos que apoio indireto ao estado israelense e suas ações contra os palestinos. Israel deveria considerar que a neutralização, desde as ruas e praças árabes até todos os povos árabes e muçulmanos, está no reconhecimento do estado palestino e a paz com um soberano Estado da Palestina.
O reconhecimento de um estado palestino pelas nações que compõem a ONU representará um antídoto contra o crescente isolamento de Israel e um bálsamo para o ódio que os árabes e muçulmanos nutrem de forma progressiva contra os Estados Unidos. Quem apóia os palestinos não faz distinção entre Israel e Estados Unidos.
Obama e Netanyahu jamais conseguirão negociar somente parte do problema palestino-israelense e uma negociação séria terá que incluir questões como Jerusalém e Refugiados e estes assuntos só podem ser negociados entre dois estados soberanos, discutindo como iguais. Sem reconhecimento do Estado Palestino assuntos desta magnitude não podem ser negociados e sem uma solução para estes dois problemas, qualquer negociação é troca de figurinha.
Com a estratégia de internacionalização do conflito, qualquer que seja o resultado, os palestinos já saem ganhando e os israelenses perdem a oportunidade de sair do impasse no qual se encontram também.
José Farhat é cientista político e diretor do Instituto da Cultura Árabe
Visitem o blog: http://josefarhat.wordpress.com

Agora que o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas desafiou Estados Unidos e Israel, creio ter chegada a hora de fazer uma pergunta. Será que uma Palestina internacionalmente reconhecida não é de sumo interesse, também, para Israel e israelenses?

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Primavera palestina começa a florescer

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Ramallah, território ocupado da Cisjordânia, 23 de setembro de 2011. Milhares de palestinos e palestinas ocupam as ruas da cidade-sede administrativa da ANP (Autoridade Nacional Palestina) no dia do discurso de seu presidente, Mahmoud Abbas, na ONU (Organização das Nações Unidas). Bandeiras palestinas em toda a parte completam o cenário, que emociona.

Ainda acredito que é nosso papel procurar a paz com justiça para fornecer uma visão alternativa ao sionismo, uma visão baseada na igualdade e na inclusão, em vez de no apartheid e na exclusão. (...) Para nosso próprio bem, devemos elevar-nos acima do fracasso do sionismo e continuar a articular nossa mensagem de paz com justiça. Mesmo que o caminho pareça difícil, ele não deve ser abandonado. Se qualquer um de nós for eliminado, dez outros devem tomar o seu lugar. Essa é a marca genuína de nossa luta, e nem a censura nem a simples cumplicidade covarde podem impedir seu êxito. - Edward Said
Ramallah, território ocupado da Cisjordânia, 23 de setembro de 2011. Milhares de palestinos e palestinas ocupam as ruas da cidade-sede administrativa da ANP (Autoridade Nacional Palestina) no dia do discurso de seu presidente, Mahmoud Abbas, na ONU (Organização das Nações Unidas). Bandeiras palestinas em toda a parte completam o cenário, que emociona. O levante palestino teria reunido cerca de 1 milhão de pessoas em diversas partes da Cisjordânia, pouco menos da metade de sua população palestina de 2,4 milhões, segundo divulgado por organizadores da iniciativa. Independentemente de posições divergentes em relação ao gesto da ANP – e elas são fato -, a mostra de florescimento dessa primavera mantém acesa a esperança de que se está mais perto de se ter finalmente uma Palestina livre da ocupação israelense, com autodeterminação e soberania de seus cidadãos. Um caminho que deve levar em conta necessariamente essa massa, somada aos seus pares em Gaza (1,5 milhão), mas também em Israel (1,5 milhão) e na diáspora (cerca de 8 milhões, sendo 4,7 milhões em campos de refugiados nos países árabes, a um raio de 150km dos territórios ocupados). Sentir-se ou não contemplado é justamente o que tem dividido o povo palestino hoje entre os que são favoráveis à iniciativa da ANP e os que não são, ou estão céticos. 
Notícias na mídia têm apontado isso, mas muitas vezes de forma equivocada, como se somente os classificados como “radicais” estivessem contra ou os que não querem um estado palestino, o que é uma falácia. Os dilemas e as contradições na sociedade palestina, considerada em seu conjunto, serão abordados aqui, a partir de fontes locais e intelectuais respeitados.
As manifestações no Brasil
No mundo, no dia 23 de setembro, os holofotes estiveram voltados para o pedido feito por Abbas de reconhecimento de um estado palestino na ONU e para essas imagens, que incluíram a repressão israelense ao levante. Pelo menos um palestino na cidade de Nablus morreu e houve ataques de colonos – são por volta de 500 mil em 200 assentamentos na Cisjordânia. No Brasil, houve atos de apoio à proposta da ANP em diversas partes, mas também iniciativas que traziam outras demandas em favor do povo palestino.
Na Capital paulista, elas se concentraram no dia 20. Logo pela manhã, a Frente em Defesa do Povo Palestino – que reúne várias organizações da sociedade civil brasileira -, realizou ato simbólico na Praça Estado da Palestina, com o plantio de muda de oliveira. A iniciativa contou com a presença de em torno de 20 pessoas, incluindo palestinos, que estenderam faixas como a em prol de boicotes ao apartheid promovido por Israel e uma bandeira gigantesca. Entre os participantes, a assessora da deputada federal Luiza Erundina e coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher do ICArabe, Muna Zeyn. Ela representou a parlamentar que, quando de sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo (1989-1993), inaugurou a praça. Em sua fala, manifestou apoio à reivindicação legítima do povo palestino por um estado.
À tarde, o Comitê Estado da Palestina Já realizou um ato na Praça Ramos de Azevedo, que seguiu até a frente da Câmara Municipal de São Paulo. A manifestação teria reunido, segundo seus organizadores, aproximadamente 2 mil pessoas. O comitê – formado recentemente - vem atuando há meses para levantar a bandeira do pedido de reconhecimento do estado palestino na ONU.
À noite, na Faculdade de Direito São Francisco da USP (Universidade de São Paulo), mais uma atividade da Frente em Defesa do Povo Palestino – desta vez, em conjunto com a Frente Palestina da USP: o lançamento da Campanha Nacional de BDS (boicotes, desinvestimento e sanções) ao apartheid de Israel. A ação contou com o apoio de comitês, sociedades e centros culturais árabes-palestinos em outros estados (Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul), bem como do Comitê Nacional Palestino e da ONG Stop the Wall (Pare o Muro). Além do pronunciamento de entidades da sociedade civil brasileira, esses parceiros enviaram mensagens, lidas na ocasião, para uma plateia de cerca de 100 pessoas. Ali, apontaram a importância da iniciativa, que atende a chamado da sociedade civil palestina, tendo em vista sobretudo os tratados e acordos militares que vêm sendo firmados entre o governo brasileiro e a potência ocupante e a necessidade de se pressionar pela sua ruptura até que se cumpram as reivindicações fundamentais dos palestinos: ao fim da colonização e desocupação de terras árabes por parte de Israel, ao retorno a suas terras e propriedades, das quais vêm sendo expulsos desde 1848, quando foi criado unilateralmente o estado sionista; e ao reconhecimento dos direitos dos cidadãos palestinos à autodeterminação, à soberania e à igualdade. 
Na Europa, nos últimos anos, a campanha por boicotes se firmou e se fortaleceu. Como resultado, vitórias importantes têm sido contabilizadas pelo movimento, entre as quais universidades têm cancelado acordos de cooperação e intercâmbio com Israel e o Governo da Noruega desinvestiu em contratos com empresas envolvidas nas práticas da colonização. Uma ação estratégica pela Palestina livre, defendida por especialistas como o historiador israelense Ilan Pappé e o jornalista palestino Ali Abunimah, um dos fundadores do site Electronic Intifada.
Israel não quer a paz
A iniciativa diplomática segue ao largo dessa campanha internacional. A Assembleia Geral da ONU foi aberta no dia 21 com discurso da presidente brasileira Dilma Rousseff. Primeira mulher a inaugurar o debate geral naquele fórum, em Nova York, ela centrou seu pronunciamento na crise financeira global, mas abordou, como era de se esperar, o tema em questão. Ao saudar a criação do estado do Sudão do Sul e sua admissão recente na organização, como o 193º país a integrá-la, a mandatária do País fez o gancho: “Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título. O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional. Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia - como deve ser.”
Para além da contradição de seu governo adotar um pragmatismo que separa decisões políticas como a expressa em sua fala de outras de cunho econômico – e, portanto, firmar, como já citado, acordos militares com Israel, sua preleção esbarra na falácia de que Israel quer a paz e que sua segurança estaria ameaçada por vizinhos hostis. A doutrina sionista de fins do século XIX, sobre a qual Israel foi fundado como estado exclusivamente judeu, nunca atuou pela paz. Como aponta em seu livro “Expulsion of the palestinians” o historiador palestino Nur Masalha, a ideia que permeia a constituição de Israel – e perdura desde sempre – é de transferência. Da população nativa para fora do território e de judeus, num primeiro momento provenientes da Europa, para dentro. Um plano deliberado de limpeza étnica dos palestinos, denunciado por Ilan Pappé em seu “La limpieza étnica de Palestina”, cumpriria essa missão. Entre 29 de novembro de 1947 – data em que a Assembleia Geral da ONU decidiu pela partilha daquele território, sem consulta aos habitantes locais – e a nakba (catástrofe) de 15 de maio de 1948, foram expulsos de suas propriedades cerca de 800 mil palestinos, com a destruição de aproximadamente 500 aldeias. Além disso, vale enfatizar que internamente, no Estado sionista, a difusão da cultura do medo junto à população tem servido de fermento para a política expansionista implementada como parte de sua ideologia. Em outras palavras, é o que faz políticos de direita como Benjamin Netanyahu se manterem no poder.
A Assembleia de 1947 foi presidida por um brasileiro, Oswaldo Aranha. No pronunciamento que a mídia chegou a anunciar como tentativa de redenção desta nação, Dilma destacou a boa convivência entre árabes e judeus no País. Convivência essa que é histórica e ocorria na Palestina até antes das primeiras levas de imigração sionista com fins colonizatórios desembarcarem naquelas terras. Em visita recente à Palestina, foi possível constatar que é possível recuperá-la. A maioria dos habitantes árabes manifestou que não teria nenhum problema em viver ao lado de judeus, no mesmo território. Mas não com quem quer matá-los e vive a oprimi-los, humilhá-los e usurpar suas terras. Portanto, o problema de fundo – que precisa ser resolvido – é a ocupação. 
 
Justiça relativa
Dois dias depois, foi a vez de Abbas falar na tribuna da ONU. Ele apresentou a proposta de pedido de reconhecimento do estado palestino, entregue pouco antes ao secretário-geral daquela organização, Ban Ki-Moon: uma solução de dois estados, baseada na Resolução 242. Essa reconhece como ilegal a ocupação por Israel dos territórios palestinos em 1967 – Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Segundo o presidente da ANP afirmou em seu pronunciamento - antecedido por muitos aplausos na sessão -, “porque acreditamos na paz e por causa de nossa convicção na legislação internacional, e porque tivemos a coragem de tomar decisões difíceis para o nosso povo, e na ausência absoluta de justiça, decidimos adotar o caminho da justiça relativa – justiça que é possível e que poderia corrigir parte da injustiça histórica cometida contra nosso povo. Assim, concordamos em estabelecer o estado da Palestina em apenas 22% do território da Palestina histórica – em todo o território palestino ocupado por Israel em 1967”. Em sua preleção, o presidente da ANP indicou ainda outros pontos da reivindicação feita na ONU: uma solução justa e acordada para o problema dos refugiados, em conformidade com a Resolução 194, de acordo com o estipulado na Iniciativa Árabe de Paz, e a exigência de libertação de presos políticos palestinos, que, estima-se, somam 11 mil detidos nos cárceres israelenses. A Iniciativa Árabe de Paz foi firmada em 2009 e ratifica o direito de retorno dos refugiados palestinos e seus descendentes a suas terras e propriedades, conforme disposto na Resolução 194, de 11 de dezembro de 1948.
Todavia, em debate realizado pela Frente Palestina da USP no dia 22, em que prevaleceu a visão de que a tática adotada pela ANP foi acertada, especialistas atestaram que a solução de dois estados não contempla o direito de retorno. Na fala da historiadora Arlene Clemesha, seu cumprimento dependerá da vontade política das lideranças palestinas. Eis aí o grande imbróglio que tem deixado inseguros sobretudo os palestinos da diáspora, em relação aos passos dados por Abbas na ONU. A incerteza não é sem razão: como a organização Stop the Wall enfatizou recentemente, em texto a respeito desse processo, não houve qualquer participação popular ou consulta à base antes da decisão de a ANP seguir essa trajetória. Para a ONG, a decisão deveria ter sido discutida em fóruns com os maiores interessados, para dissipar seus temores e ouvir suas demandas. Em entrevista ao site Operamundi, Ali Abunimah também faz essa crítica, que não é secundária. Reclamo ao qual vem fazendo coro em especial o Hamas – muito embora tenha dado carta branca a Abbas em acordo de unidade firmado em maio último.
Ademais, o que o presidente da ANP chamou de “justiça relativa” seria classificado no início do século XX pelo sionista revisionista Zeev Jabotinski (1880-1940) como quebra de resistência. Em seu livro “A muralha de ferro – Israel e o mundo árabe”, Avi Shlaim descreve a resposta de Jabotinski à postura a ser seguida pela liderança sionista em relação aos árabes. Essa estaria expressa em dois artigos que o autor revisionista publicou em 1923, sob o título “A muralha de ferro”. No texto, ele afirma: “Todo povo nativo irá resistir aos colonizadores estrangeiros enquanto perceber qualquer esperança de se livrar do perigo da ocupação. É assim que os árabes irão se comportar enquanto tiverem um vislumbre de esperança de que podem impedir que a ‘Palestina’ se torne a Terra de Israel.” O caminho, para ele, seria destruir qualquer esperança nesse sentido erguendo-se uma muralha de ferro de força militar judaica em território ocupado – e evitando-se a todo custo um acordo, enquanto não houver quebra da resistência. Ele reitera: “... eles não são uma ralé, mas um povo vivo. E um povo vivo só estará pronto a se render a um desfecho tão fatal quando tiver desistido de toda esperança de se ver livre dos colonizadores estrangeiros. Só então os grupos extremistas... perderão sua influência, e só então sua influência será transferida para grupos mais moderados. E só então os moderados irão oferecer sugestões para chegarmos a um acordo.” Independentemente das ramificações da corrente sionista, a ideia da muralha de ferro de Jabotinski tem norteado sua política. O que se reflete no lugar hoje ocupado por Israel, de quarta potência bélica do mundo, com a bênção dos Estados Unidos, mediante a contribuição anual de US$ 6 bilhões. 
A ironia é que discípulos de Jabotinski autoproclamados, como Netanyahu, tomaram gosto por manter o povo palestino aprisionado atrás da muralha de ferro – alerta feito por Avi Shlaim em sua obra. E não querem desistir dela. Tanto que o primeiro-ministro de Israel recusa até mesmo a proposta feita pelo Quarteto (Rússia, Estados Unidos, Europa e ONU) na noite do dia 23, após o encerramento da sessão da ONU, de se retomarem as negociações em um mês para criação do estado palestino em um ano, sem se exigir sequer as fronteiras anteriores a 1967 e a retirada dos assentamentos. Abbas também refutou a proposta, de fato inaceitável. Ele se nega ainda a reconhecer o caráter judeu de Israel, como quer Netanyahu – o que, além de inadmissível como concepção de estado moderno, colocaria em risco os palestinos que vivem ali.
Os céticos
Voltando à estratégia da ANP, na outra ponta estão os céticos, também não sem razão. São 63 anos de espera e muitas negociações infrutíferas, incluindo um fracassado processo resultante do Acordo de Oslo firmado em 1993. Além disso, a iniciativa vem de uma ANP até então muito desacreditada pela maioria dos palestinos, como constatou a documentarista brasileira que tem produzido filmes como Budrus e Ponto de Encontro na região, Julia Bacha, em entrevista à Globonews no dia 22 último. Sem autonomia de fato mesmo nas áreas definidas em Oslo como atribuição sua para administração nos territórios ocupados, mas apenas com poder de polícia - e diante do insucesso de ter que lidar com um interlocutor nem um pouco disposto à paz -, teria como cartada decisiva para recuperar sua imagem a iniciativa de pedido de reconhecimento do estado palestino na ONU. Aparentemente, a tática deu sobrevida à ANP. Até quando, as próximas peças a serem mexidas no tabuleiro é que poderão dizer. A jogada seguinte de Abbas foi dar um prazo de 15 dias ao Conselho de Segurança para apreciar o pedido feito no dia 23 – mas os Estados Unidos já anunciaram que vão usar, se preciso for, seu poder de veto naquele fórum.
Uma outra proposta
Na opinião de Ilan Pappé, expressa em artigo de sua autoria, intitulado “Nas Nações Unidas, o funeral pela solução de dois estados”, a depender dos próximos passos, a solução de dois estados estará definitivamente enterrada. “O item mais importante que irá a um metro de profundidade é o dicionário de ilusão e engano e seus famosos termos como ‘processo de paz’, ‘a única democracia do Oriente Médio’, ‘nacão amante da paz’, ‘paridade e reciprocidade’ e uma ‘solução humana ao problema dos refugiados’. Ainda como escreve o autor, “o dicionário substituto está sendo preparado durante muitos anos e descreve o sionismo como colonialismo, Israel como Estado de apartheid y a a nakba como limpeza étnica. Será muito mais fácil introduzi-lo ao uso comum depois de setembro”. E vaticina: “A paz não é uma troca demográfica, nem o redesenho de mapas: é a eliminação dessas ideologias y políticas. Quem sabe, possa ser mais fácil fazê-lo agora que nunca antes.”
Pappé defende, assim, um outro caminho: o reconhecimento histórico das injustiças cometidas contra o povo palestino para se consolidar a proposta de um único estado para todos, com direitos iguais. Como observa Ali Abunimah em textos e entrevistas, esse já é realidade, mas hoje – a exemplo do que ocorreu na África do Sul – tem sido sustentado por um regime de apartheid. Aparatos como o muro de separação na Cisjordânia, dezenas de postos de controle e assentamentos têm garantido a segregação da população palestina e precisariam, portanto, ser desmontados. Sua defesa é de que a luta por boicotes a Israel no mundo pode ser efetiva para isolar a potência ocupante e levar até mesmo a população israelense a propugnar por direitos iguais para todos os que vivem naquelas terras. Em tempos de revoluções no mundo árabe, pensar em um projeto em que a democracia esteja no cerne parece apropriado. O levante do povo palestino seria a mostra de que a esperança não está perdida – e a derrota da ideia da muralha de ferro de Jabotinski. Essa primavera começa a florescer.
REFERÊNCIAS
http://www.ciranda.net/ciranda-mundi/article/an-urgent-call-for-transparency. Acesso em: 25 de setembro de 2011.
http://www.ciranda.net/fsm-dacar-2011/article/en-las-naciones-unidas-el-funeral. Acesso em: 25 de setembro de 2011
http://mariafro.com.br/wordpress/2011/09/25/o-discurso-do-presidente-da-autoridade-nacional-palestina-na-onu/. Acesso em: 25 de setembro de 2011.
http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/09/veja-integra-do-discurso-de-dilma-na-abertura-da-assembleia-da-onu.html. Acesso em: 25 de setembro de 2011.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevista/DEVEMOS+LUTAR+PELA+PARIDADE+DE+DIREITOS+DIZ+ATIVISTA+PALESTINO+QUE+DEFENDE+ESTADO+UNICO_211.shtml. Acesso em: 23 de setembro de 2011.
http://electronicintifada.net/blog/ali-abunimah. Acesso em: 25 de setembro de 2011.
MASALHA, Nur. Expulsion of the palestinians – The concept of transfers in Zionist political thought, 1882-1948. (Institut for Palestine Studies, 1992).
PAPPÉ, Ilan. La limpieza étnica de Palestina. (trad. para o espanhol: Luis Noriega, Barcelona: Memoria Crítica, 2008)
SAID, Edward. Cultura e política. (trad. Luís Bernardo Pericás, São Paulo: Boitempo Editorial, 2003)
SHLAIM, Avi. A muralha de ferro – Israel e o mundo árabe. (trad.: Maria Beatriz Penna Vogel, Rio de Janeiro: Fissus Ed. 2004)

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A nova batalha pela Líbia

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A nova batalha pela Líbia
Já em 1998, Larry Summers, então secretário das Finanças do governo norte-americano, sinalizava a importância econômica que o processo de reconstrução dos países adquiria dentro das chamadas intervenções humanitárias. Segundo seus cálculos, a cada dólar investido na reconstrução em um país, as corporações norte-americanas ganhavam, aproximadamente, 4 dólares. Assim aquilo que aparecia, inicialmente, como um grande fracasso da Otan agora passa a ser saudado como uma “boa guerra”. O artigo é de Reginaldo Nasser e Marina Mattar.
Reginaldo Nasser e Marina Mattar
Enquanto os problemas militares e políticos recebem grande parte da atenção na construção da paz na Líbia, a economia pós-conflito permanece como um assunto secundário pouco abordado nas análises e informações presentes na mídia. No entanto, são justamente as dimensões econômicas que se mostram cruciais durante o período de transição em que se espera o desarmamento e desmobilização dos beligerantes em troca da promessa de um futuro melhor em conseqüência da paz. Como o Ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppe, afirmou: “A operação na Líbia teve custos elevados; mas é também um investimento no futuro, pois uma Líbia democrática é um país que se desenvolverá e oferecerá estabilidade, segurança e desenvolvimento na região”. 
Na perspicaz observação de Rachel Shabi (Al Jazeera 25/08/2011) à medida que a ditadura do coronel Kadafi chega ao seu final, as notícias sobre a Líbia vão progressivamente aparecendo nas páginas de Negócios e Empresas dos jornais ocidentais. Líderes empresariais europeus, com experiência em negócios na Líbia, já manifestam explicitamente sua cobiça. A Líbia é um dos países mais ricos da região: seu PIB per capta é de 14 mil dólares por pessoa, ultrapassando o de seus vizinhos Egito e Tunísia. A riqueza do país é conseqüência de suas reservas de petróleo que, apesar de representarem apenas 2% da reserva mundial, é de grande importância para potências européias, como Itália e França, e afeta diretamente os preços do petróleo. 
Os investimentos diretos estrangeiros no país apresentaram um crescimento relevante na última década: em 2000, foram investidos US$451 milhões; em 2008, US$ 12 bilhões; em 2009, US$ 15,5 bilhões e em 2010, US$19,36 bilhões. Dias antes dos protestos atingirem as ruas da Líbia, o FMI publicou um informe parabenizando “o forte empenho da Líbia na economia e os avanços em reforçar o papel do setor privado e em apoiar o crescimento da economia não petrolífera”. Um dos líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mahmoud Jibril, foi um dos formuladores da política de liberalização da economia na Líbia que teve início em 2007. Apesar dessas mudanças, a economia da Líbia esteve sempre concentrada em Kadafi e seu círculo de poder, incluindo aí as empresas italianas, inglesas e francesas. No encontro em Paris, nesta última semana, que reuniu 42 países para discutir a reconstrução da Líbia, o Conselho afirmou, diversas vezes, a seus parceiros da OTAN e outros países presentes que a Líbia se tornará um país democrático, transparente e de mercado competitivo. 
Mesmo antes do termino do conflito, a corrida por negócios na “nova” Líbia já havia se iniciado. Desde junho, indústrias petroleiras francesas, italianas e alemãs – todas apoiadas por membros de seus governos - visitaram a Líbia com objetivo de futuros negócios e acordos com o novo governo. Os investidores franceses, assim como os alemães, agendaram reuniões de negócios com os rebeldes em suas capitais, durante o mês de setembro e outubro, para estabelecer negócios e doações para a reconstrução da Líbia. Durante esta semana, o Ministro de Desenvolvimento Internacional inglês, Alan Duncan, sofreu acusações de ter estabelecido secretamente um contrato de 1 bilhão de dólares entre os rebeldes líbios e a multinacional suíça Vitol para exploração de petróleo na região.
Os interesses econômicos envolvidos na intervenção da Líbia não dizem respeito apenas aos contratos para extração de petróleo, mas também para a reconstrução do país após o conflito, sob o argumento da necessidade de modernizar sua infra-estrutura e regularizar seu comércio. 
Em Paris, no encontro dos amigos do novo governo da Líbia, promovido pela França, o CNT pediu para a ONU liberar os fundos de Kadafi (US$ 150 bilhões), congelados por sanções ao seu regime. “Nós nos comprometemos a desbloquear fundos da Líbia do passado para financiar o desenvolvimento da Líbia do futuro”, afirmou Sarkozy. De acordo com um oficial norte-americano, os 61 bilhões de dólares contidos nos fundos poderão financiar toda a reconstrução do país. Mais do que uma conferência de doadores, o encontro tornou-se um momento de estabelecimento de contratos. 
No mesmo dia do encontro, os EUA transferiram 300 milhões de dólares, dos fundos retidos em bancos norte-americanos, para a companhia multinacional Vitol pelo apoio prestado aos rebeldes. Uma semana antes, a França fechou um acordo com os rebeldes para que alimentos e gêneros de primeira necessidade fossem comprados apenas de empresas francesas com o dinheiro dos fundos bloqueados nos bancos franceses (US$ 7,5 bilhões), que acabará voltando para a economia francesa. Na semana passada, por exemplo, o CNT comprou 44 milhões de dólares em trigo francês. 
Já em 1998, Larry Summers, então secretário das Finanças do governo norte-americano, sinalizava a importância econômica que o processo de reconstrução dos países adquiria dentro das chamadas intervenções humanitárias. Segundo seus cálculos, a cada dólar investido na reconstrução em um país, as corporações norte-americanas ganhavam, aproximadamente, 4 dólares. Assim aquilo que aparecia, inicialmente, como um grande fracasso da Otan agora passa a ser saudado como uma “boa guerra”. Segundo o influente analista internacional da CNN Zakariaa, trata-se de uma ação militar que não seguiu o padrão tradicional de intervenções lideradas pelos EUA e pode inaugurar “uma nova era na política externa dos EUA”. 
A Otan entrou na guerra apenas no momento em que pode constatar a existência de um grupo local que estava disposto a lutar e morrer; a ação foi legitimada pela Liga Árabe e pela ONU, e o mais importante, conclui Zakaria, é uma grande melhoria em relação ao antigo modelo que acarretava custos humanos e financeiros muito grandes. 
A partir de agora é que realmente tem inicio a verdadeira e mais difícil batalha que os revolucionários líbios deverão travar.

Já em 1998, Larry Summers, então secretário das Finanças do governo norte-americano, sinalizava a importância econômica que o processo de reconstrução dos países adquiria dentro das chamadas intervenções humanitárias. Segundo seus cálculos, a cada dólar investido na reconstrução em um país, as corporações norte-americanas ganhavam, aproximadamente, 4 dólares. Assim aquilo que aparecia, inicialmente, como um grande fracasso da Otan agora passa a ser saudado como uma “boa guerra”.

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Onze de setembro: dez anos depois

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Onze de setembro: dez anos depois
por José Farhat
Logo após o ataque às Torres Gêmeas, em 9 de setembro de 2001, e até há poucos anos depois, quem ousasse interromper um jogo de gamão ou a baforada de um narguilé, em qualquer café de Beirute ou Clube de árabes em São Paulo e perguntasse quem foi o autor do atentado, é provável que ouvisse uma quase unânime resposta: “C.I.A. e Mossad”! Escrevemos um relato intitulado Onze de Setembro Sete Anos Depois, em 11/09/11, dando conta desta linha de pensamento árabe e também muçulmano, por andarem em paralelo.
Hoje, no entanto, já não se atribui este ato terrorista às duas agências de inteligência e sim a seus reais autores: al-Qaida e seus pupilos. Alguma insistência naquela errônea versão ainda ocorre, tal como existem pessoas que ainda consideram uma farsa televisiva a chegada de Neil Alden Armstrong à lua e seu pronunciamento em nome da humanidade.
A grande maioria de árabes e muçulmanos nunca apoiou a al-Qaida e sobretudo o crime que cometeu em território estadunidense, salvo as desprezíveis exceções de sempre que se manifestaram em 2001. Boa parte destes segue atualmente a mesma linha traçada por Peter L. Bergen, em seu livro The Longest War: The Enduring Conflict Between America and Al-Qaeda [A mais longa guerra: O conflito duradouro entre América e al-Qaida] no qual é analisado o sentido do que ocorreu naquele dia nefasto, mas também as consequências daquela agressão desumana, entender a guerra no Afeganistão, a ocupação do Iraque, as relações perturbadas dos Estados Unidos com o Paquistão, as perspectivas do relacionamento entre árabes e muçulmanos com o chamado Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, às vezes ocultados pela couraça da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), as torturas cometidas e os programas de remessa às escondidas de prisioneiros a outros países para que fossem cruelmente interrogados e às vezes até eliminados e a caça e a morte de Bin Ladin.  
Seguindo Bergen, analista de segurança nacional da Rede CNN e diretor de estudos de segurança da New American Foundation que coletou dados junto a autores e organizações, fizemos o mesmo, salvo por uma única exceção, procuramos trazer para este estudo a opinião de não árabes e não muçulmanos. A bem da verdade, Bergen chegou a ser criticado pelo establishment estadunidense, à falta de outra desculpa, por não ter dado maiores detalhes sobre o Afeganistão.
Aquilo que árabes e muçulmanos, inclusive na Tríplice Fronteira de Brasil, Argentina e Paraguai, em todo o Brasil, em países árabes ou de maioria muçulmana indagam não é diferente daquilo que fazem os próprios cidadãos estadunidenses. Atualmente em sua grande maioria eles se impressionam: uma década depois do 11/9 os Estados Unidos continuam lutando no Afeganistão e ainda não saíram do Iraque (e apesar de acordo firmado com o governo iraquiano estão procurando encontrar um meio, qualquer um, para lá ficar), tudo apesar de não ter ocorrido qualquer ataque terrorista desde então. O espanto maior é que foi gasto mais de US$ 1 trilhão nos combates, milhares de estadunidenses foram mortos e não há dúvida que Tio Sam inspirou o surgimento de oposição odiosa por parte de árabes e muçulmanos, onde quer que se encontrem.  
Cada árabe ou muçulmano lamenta a perda de centenas de milhares de vidas dos seus, tão inocentes quanto os cerca de três milhares de vítimas das Torres Gêmeas. É-lhes dolorido constatarem o que pode ser considerado uma discriminação entre vítimas civis inocentes: “as deles e as nossas”. O mundo ouviu as palavras de George W. Bush no dia do ataque e duas vezes depois e seus discursos foram pronunciados em alto e bom som, o suficiente para que árabes e muçulmanos ouvissem que a reação estadunidense seria uma cruzada. Lamentam eles também as agressões que se seguiram ao 11/9, por parte de Estados Unidos e seus aliados em terras árabes ou muçulmanas. Sentem profundamente o apoio que é dado a Israel e os abusos que este comete contra os palestinos que são tanto árabes quanto muçulmanos em sua maioria, mas também cristãos. A reação ao tratamento dado por Israel aos lugares santos do Cristianismo e do Islã não se limitam ao estado hebreu e sim abrangem os Estados Unidos e seus aliados. Ninguém pode negar que foram, em última instância, os inúmeros adiamentos da decisão de ingresso da Turquia na União Europeia, que teve sua origem nas campanhas contra o Islã, a razão para levar o estado turco a desistir de sua candidatura ao ingresso na organização. Isto apesar de o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mentiroso contumaz, dizer que era a favor da entrada do país de maioria muçulmana para o seio da organização europeia. Pode-se também considerar que a deterioração das relações entre Israel e Turquia tem em 11/9 suas origens remotas.
A própria criação do Instituto da Cultura Árabe no Brasil (Icarabe) tem indiretamente no episódio suas origens. Os ataques a Edward W. Saïd (1935-2003), palestino-estadunidense, teórico de literatura, professor de inglês e literatura comparada na Columbia University e defensor da causa palestina, recrudesceu com a implementação da “caça às bruxas” nos Estados Unidos após o 11/9. Saïd passou a ser atacado por sua origem e até ameaçada foi a sua cátedra na universidade. Os ataques repercutiram no Brasil e encorajaram a união de intelectuais em sua defesa. O apoio a Saïd foi ampliado para a causa palestina em particular e árabe em geral e à rica cultura árabe, o que consequentemente resultou na criação do Icarabe, que o tem como patrono. 
Falamos do 11/9 e de algumas poucas de suas repercussões, mas não chegamos a definir o que é terrorismo, o motivo das cruzadas de Bush filho. Em artigo publicado em 02/09/2011, o professor de Ciência Política da Aligarth Muslim University, na Índia, M. Mohibul Haque publicou um artigo no Countercurrents.org intitulado Deconstruction of Discourse on Terrorism [Desconstrução discurso sobre terrorismo] no qual ele sublinha que o sentido do termo ‘terrorismo’, apesar de ser aquele que por mais longo tempo se discute em círculos acadêmicos e governamentais, tem “implicações perigosas [que] não são sentidas” e afirma ademais que “a ausência de uma definição objetiva de terrorismo é mais proposital do que acidental”. Haque acrescenta ainda: “a desonestidade da fraternidade acadêmica e o dúbio comportamento de governos nacionais são responsáveis por tais problemas”. Vindo para o nosso assunto, o professor da AMU chega diretamente ao âmago da questão ao afirmar: “Terrorismo é um ato político ou ideológico motivado por violência contra homens ou mulheres comuns. Ele pode ser cometido por indivíduo, grupo, organização ou estado. No entanto, infelizmente este discurso sobre terrorismo foi sequestrado por nações poderosas do mundo que nunca querem que seus atos de injustificável violência devam ser discutidos no contexto de terrorismo. Isto é muito evidente nos efeitos dos ataques terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos. A assim chamada guerra global declarada contra o terror e que está sendo travada por Estados Unidos e um punhado de seus aliados tem tentado tapear que na presente circunstância o terrorismo é monopólio de não-estados. Assim, a matança de pessoas inocentes cidadãs de Afeganistão, Iraque, Somália e Kosovo por uma aliança imperialista não é absolutamente terrorismo.” Professor Haque conclui dizendo que “Terrorismo deve ser definido e determinado mais com base em atos cometidos que em atores envolvidos.” 
Albert ‘Al’ Gore vice-presidente durante os oito anos de governo William ‘Bill’ Clinton, não é árabe e nem tampouco muçulmano, com sua insuspeita pena, escreveu um livro sob o título The Assault on Reason [O assalto à razão] no qual atacou George W. Bush dizendo que ele estava “fora de alcance da realidade” e ignorou “claros avisos” sobre a ameaça terrorista antes do 11/9 e que ele tornou os estadunidenses menos seguros “agitando vespeiros no Iraque” enquanto usava “a linguagem e a política do medo” a fim de “desviar a agenda pública sem atentar para a evidência, os fatos ou o interesse público”. Gore poderia até estar investindo contra Bush por razões eleitoreiras, o que é negado por todas as resenhas do livro às quais tive acesso, mas há um fato inegável a respeito do assunto.  Bush não deu ouvidos aos “claros avisos” porque com ou sem o 11/9 seus planos eram outros e o ataque da al-Qaida serviram apenas de desculpa. Em artigo publicado em 15/09/2002, sob o título Planned Iraq 'Regime Change' Before Becoming President [Plano de ‘mudança de regime’ no Iraque antes de se tornar presidente], o jornalista Neil Mackay dá conta em artigo de 15/09/2002, que um resumo secreto de documento sobre a dominação global dos Estados Unidos revela que Bush filho e seu gabinete estavam planejando e premeditando atacar o Iraque a fim de assegurar uma ‘mudança de regime’ bem antes de quando este assumiu a presidência em janeiro de 2001. Quem revelou a existência do documento sobre a criação da ‘Global Pax Americana’ foi o jornal Sunday Herald que informa serem autores do resumo Richard ‘Dick’ Cheney (que se tornaria vice-presidente de Bush filho), Donald Rumsfeld (que seria nomeado secretário de defesa), Paul Wolfowitz (segundo de Rumsfeld), John ‘Jeb’ Bush (irmão de Bush filho e depois governador da Florida e que ajudaria o irmão a ser reeleito) e Lewis Libby (chefe de gabinete de Cheney). O documento original, sob o título de Rebuilding America’s Defense: Strategies, Forces And Resources For a New Century [Reconstruindo a defesa dos Estados Unidos: Estratégias, forças e recursos para um novo século] foi redigido em setembro de 2000 (um ano antes do 11/9) pelo neoconservador grupo chamado Project for the New American Century [Projeto para um novo século estadunidense]. Tanto isto é verdade que na reunião da cúpula governamental estadunidense, no dia dos acontecimentos do 11/9, ao saber do ocorrido Paul Wolfowitz gritou: “Foi Saddam Hussein, vamos atacar o Iraque!” e, em seguida, ao surgir a figura de Bin Ladin, decidiu-se pelo ataque ao Afeganistão em primeiro lugar.
Não precisa ser árabe ou muçulmano para começar desconfiando e depois ter certeza que tudo tinha sido planejado com antecedência e os ataques de 11/9 e suas vítimas foram tão somente usados e os países árabes e muçulmanos também. No documento Rebuilding America’s Defense (capítulo II Quatro missões essenciais - página 5) estão traçadas as metas: “A liderança mundial dos Estados Unidos e seu papel de garantidor da atual paz da grande potência, assenta na segurança do território estadunidense; na preservação de uma balança favorável de poder na Europa, no Oriente Médio e na região circunvizinha produtora de energia e Leste Asiático; e na estabilidade do sistema internacional de estados-nações relativo a terroristas, crime organizado e outros ‘não-estados’ atores.” 
No dia 06/09/2011, por ocasião do décimo aniversário do 11/9 o britânico Oxford Research Group publicou um relatório sob o sugestivo título de A War Gone Badly Wrong – The War on Terror Ten Years On [Uma Guerra que seguiu muito errada – A Guerra contra o terror continua por dez anos] com reflexões sobre os erros catastróficos da ultima década e avaliação da resposta dos Estados Unidos e da coligação de seus parceiros e questiona se a resposta foi apropriada ou sábia ou se os resultados foram, até o momento, contraproducentes e indicam a necessidade de um totalmente novo paradigma de segurança.
O autor do relatório, o Professor Paul Rogers, diz: “Por ver os ataques como exigindo uma resposta militar importante - uma ‘guerra ao terror’ – atribuiu aos autores precisamente a atenção que eles buscavam e provou ser profundamente contra produtivo.” O relatório inclusive compara os objetivos originais de guerra das administrações Bush e Blair logo após os ataques e seus resultados atuais em termos de longevidade dos conflitos, os custos humanos, as implicações financeiras e os desenvolvimentos políticos.
Rogers resume os maiores resultados da ‘guerra ao terror’ quando diz: “Uma curta guerra no Afeganistão logo mais entra na sua segunda década, sete anos de guerra no Iraque ainda está por resultar numa paz duradoura e o Paquistão continua profundamente instável. Enquanto isto, grupos fracamente ligados ao movimento al-Qaida fazem progresso em Iêmen, Nigéria, Argélia e Corno da África.” É mais uma concordância, e bastante importante, à idéia que defendemos aqui e, mais ainda, o impacto destes acontecimentos certamente serão sentidos por muitas décadas futuras tanto no Mashriq quanto o Maghrib árabes quanto no sul e centro asiático muçulmanos.
Só se pode concordar também com Rogers quando aponta para um fato relevante que é o aumento significativo da influência do Irã na região e principalmente nos países palcos das ações estadunidenses: Afeganistão e Iraque e, nestes países, o Irã está livre para atuar. 
Rogers vai além ao apontar para aquilo que um aniversário não está representando em termos de oportunidade para reflexões honestas já que planejadores políticos e militares estão se arriscando a repetir os erros da última década e diz: “Uma avaliação abrangente das guerras no Iraque e Afeganistão é muito necessária em maior profundidade” do que a atual atitude dos Estados Unidos e Reino Unido para se conseguir “aumentar a cautela em resposta muito rápida em circunstâncias difíceis com o uso de força militar.”
Dificilmente podem ser encontrados contestadores, em qualquer parte do mundo, na atualidade, às conclusões de Rogers quando diz: “Tornou-se cada vez mais claro na última década que os Estados Unidos e seus parceiros devem aprender com o evidente fracasso da ‘guerra ao terror’ passando a prestarem mais atenção às causas subjacentes aos conflitos, especialmente os fatores que motivem novos paramilitares a empreenderem ações extremas.”
Noam Chomsky, linguista, filósofo, ativista político estadunidense, professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, comentou sobre o 11/9 em artigo datado de 06/09/2011 intitulado Dangers of American Empire and Why the US Continues to be Bin Laden's Best Ally [Perigos do império estadunidense e porque os E.U.A. continuam sendo o melhor aliado de Bin Ladin], no qual aponta que “Inúmeros analistas observam que apesar de Bin Ladin finalmente ter sido morto, ele ganhou alguns grandes sucessos em sua guerra contra os Estados Unidos.”
Continuando, Chomsky cita o jornalista especialista em Oriente Médio e Islã, Eric Margolis que escreveu: “Ele [Bin Ladin] repetidamente afirmou que a única forma de conduzir os Estados Unidos para fora do mundo islâmico e derrotar seu satrapismo é trazê-los para uma série de pequenas, mas dispendiosas guerras que finalmente irão à falência”. 
Segundo Chomsky, ”Fazendo sangrar os Estados Unidos, primeiro sob George W. Bush e depois sob Barack Obama levou-os direto para a armadilha de Bin Ladin.” Chomsky prosseguiu com sua correta afirmação de que “um ataque maciço contra uma população muçulmana teria sido uma resposta às orações de Bin Ladin e seus associados e levaria os Estados Unidos e seus aliados a uma armadilha diabólica.” Foi por esta razão, aliada aos custos de mais uma frente de guerra, que fez com que os Estados Unidos fingissem não estar atuando na Líbia.
Chomsky, após demonstrar que os Estados Unidos, com seus ataques ao mundo islâmico foram os melhores aliados de Bin Ladin, indaga se não havia alternativa e aponta aquela que seria a mais óbvia: o movimento Jihadi Islâmico, crítico ferrenho de Bin Ladin, poderia ter abandonado o movimento e minado todas as ações da al-Qaida e o crime contra a humanidade que foi cometido poderia ter sido tratado como crime com uma ação internacional para prender os responsáveis, mas como dissemos acima, os ataques já constavam dos planos até mesmo antes da posse de Bush filho e antes do 11/9 e sem ou com os ataques criminosos o que se queria mesmo era ocupar o Afeganistão e o Iraque e ousamos dizer: como passo inicial. 
Bin Ladin ainda viveu para ver um dos resultados das aventuras dos Estados Unidos e seus aliados nas guerras e interferências nos países árabes e muçulmanos que levaram diretamente para a crise econômica que começou em 2008 e só Allah sabe quando e se de fato terá solução.
José Farhat é cientista político e diretor de relações nacionais e internacionais do Instituto da Cultura Árabe.

Logo após o ataque às Torres Gêmeas, em 9 de setembro de 2001, e até há poucos anos depois, quem ousasse interromper um jogo de gamão ou a baforada de um narguilé, em qualquer café de Beirute ou Clube de árabes em São Paulo e perguntasse quem foi o autor do atentado, é provável que ouvisse uma quase unânime resposta: “C.I.A. e Mossad”! Escrevemos um relato intitulado Onze de Setembro Sete Anos Depois, em 11/09/11, dando conta desta linha de pensamento árabe e também muçulmano, por andarem em paralelo.

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