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Avance a fronteira

Contam que:

Um tecido novo e antigo se recompõe e traz luz ao presente quando ouvimos ou lemos uma história. O tempo suspenso, o jogo de palavras ou a trama, nos remete a um universo mágico de possibilidades, quem sabe aquele da morada dos gênios. Afinal, as histórias salvaram Sharazade, e mais, salvaram o próprio rei que reviveu ao ouvi-las. O contar aproxima e revitaliza o contato entre as culturas e gerações, e a escrita estreitou esse processo porque passou a ser testemunha. A reconstrução da experiência humana através da narrativa é como um xale que aquece a vontade de contador e a percepção de quem ouve.

Relembrar passagens do Alandalus alimentou o desejo de contar histórias com o foco do contador e enriqueceu um pensamento que me rege: contar para saber quem somos. Por isso cometo este convite: vamos contar e ouvir, ler, viver e escrever histórias, de um amor, uma viagem ou de um sonho, do Alandalus, por que não? Avance a fronteira, viva uma história. Vamos cultivar nossa capacidade de deslumbramento.

Lelia Maria Romero

Poesia e paz no Oriente Médio

Em dezembro passado, na Casa das Rosas, aconteceu a “Noite da Poesia do Oriente Médio”, da qual tive a honra de participar. Para este encontro foram selecionadas, entre as muitas culturas e etnias da região, as culturas árabe, judaica e persa, com apresentação de poemas e poetas de épocas diversas, divididos em dois blocos: clássico e contemporâneo.

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O deserto, uma cidade, o chá

Antes, na península arábica, nada mais havia que camelos, caravanas, núcleos de gente em volta dos oásis, os pontos de troca de mercadorias, futuros centros urbanos onde se assistia aos torneios de poesia. E calor. O deserto. O céu noturno do deserto seria aquele conhecido pelos relatos de viajantes.

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“Árabes? Não conheço essa tribo!”

Contam que um olhar atento observa: diante de um objetivo comum, de esforços em benefício de um alvo amplo, da empreitada para defender refugiados, a cultura ou a água, é difícil reunir os povos árabes. Investigamos e refletimos.

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Pão e delicadeza

No filme "Os segredos do Palácio", drama tunisiano ambientado em Tunís, os momentos descontraídos vinham da cozinha, da cantoria das mulheres preparando ingredientes e pratos. Quase sentimos os aromas ao vermos os pratos decorados levados ao salão.

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Vinho é a bebida dos deuses

Contam que os alandaluzes consumiam e apreciavam o vinho, a despeito da orientação corânica. Antes, aqui mesmo neste espaço de encontro, comentamos sobre o vinho nos poemas báquicos de Idris al Yamani (século XI). Porém, não imaginem os leitores que o vinho entra num poema, qual mero elemento de criação, em nome da arte.

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Judah Halevi e o mar

Copyright © 2009 Law Library, University of Oslo

Judah Halevi deixou o Alandaluz em 1140. Em Alexandria e no Cairo, foi acolhido com entusiasmo por uma razão muito natural: seus poemas chegaram antes dele. A travessia mediterrânea foi aflita em seu pensamento. Seres bestiais poderiam lançar ondas fúnebres ao mar ou o barco seria flamejado pela língua de um dragão.

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O êxodo e o outro*

Depois que brasileiros e espanhóis tiveram suas viagens interrompidas ultimamente, voltamos a pensar em construir pontes antes que a mídia e a desinformação nos aproxime de abismos.

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“Fundação Três Culturas” visita São Paulo

Sediada em Sevilha, desde 1998, a “Fundação Três Culturas” nasceu com empenho conjunto da Junta de Andaluzia, Reino do Marrocos, Centro Peres pela Paz e Autoridade Nacional Palestina. Intenção primeira: estimular encontros entre as culturas mediterrâneas, pela paz, diálogo e tolerância.

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Águas das Artes

A água, o ouro do século XXI, tem presença singular na história dos povos árabes. No Alandaluz, havia água encanada, desde o século X, na Córdoba do califado. À parte o engenho ao lidar com o precioso elemento, os alandaluzes cruzaram o sistema hidráulico dos Romanos com o dos Visigodos.

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Pensar as Geografias

"Andaluz é uma ilha extensa, medindo um pouco menos de um mês de marcha, de comprimento, e vinte e tantos dias de largura. É rica em rios e mananciais, repleta de árvores e plantas de todo feitio e suprida com tudo que acrescente conforto à vida. A comida é farta, devido também à fertilidade da terra, que rende toda a espécie de grãos, vegetais e frutas, assim como à quantidade e qualidade de suas pastagens, nas quais inúmeros rebanhos pastam...".

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Os sábios, o céu e as plantas

Q'Abbas ibn Firnas foi um dos primeiros sábios a chegar em Alandalus para ensinar música. O som das estrelas e o fascínio pelo céu, porém, o levaram a investigar a mecânica do vôo.

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"Os Livros têm asas"

O Alandaluz foi referência de conhecimento na Idade Média e este saber ainda sopra. Embora os reinos europeus fossem desunidos e fechados em si mesmos, o pólen cultural correu ventos para além dos Pireneus, séculos adiante.

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Poética circular - Muáchaha dos olhos lânguidos

CONTAM QUE... muáchaha é um estilo de poema típico do Alandaluz, em que o poeta busca reproduzir sons circulares. É quase um canto tal é o efeito anelar da sonoridade do poema em árabe. O tema, em geral, é o da paixão não correspondida, o abandono, a indiferença

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El Cid - A Lenda

Leia "A Lenda", a última parte do conto El Cid da escritora Lelia Maria Romero

Contam que 40 anos depois da morte do Campeador, apareceu o "Cantar del Mío Cid", conjunto de versos em canção, sobre a vida do virtuoso cavalheiro de Burgos: forte e leal, justo e corajoso, prudente e sensato.

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El Cid - a morte

Quando Yusuf Ibn Tashfin, do norte da África, varreu os territórios do Alandaluz com sua visão purista do islã, o Campeador defendeu Valência da invasão almorávide, com os soldados que o chamavam de ”sid”, corruptela do árabe al sayyid, o senhor.

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El Cid - O guerreiro Fiel

Contam que mesmo longe de sua terra, lutando como mercenário por causas diversas desde que justas, o Cid não quebrou vínculos com o legado de Sancho II da Castela, seu senhor e amigo de infância. Obrigado a se distanciar da batalha que julgava fiel, o Campeador se descobriu outro junto aos hispano-árabes.

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El Cid

Rodrígo Díaz conhecido por ”El Cid”, o “Cid Campeador”, tem como nome a síntese da sua trajetória alandaluza. Ao lutar ao lado de cristãos e árabes, o guerreiro adquiriu o nome que o celebrizou: “El Cid” vem do árabe Al Sayyid, o senhor, e “campeador” do latim campi ductor, “o senhor condutor no campo de batalha”.

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O jogo de xadrez - A batalha

Sessenta e quatro quadros em branco e negro: esperar e agir, matar ou morrer. Dezesseis figuras organizadas em oposição simétrica. Quando entram em movimento as 32 peças do jogo de xadrez, o tabuleiro, o mundo, se torna um campo de batalha.

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O jogo de xadrez - O mundo

Contam que a expressão “xeque mate” vem do árabe al-cháh mát: “o rei está morto”. Cháh por sua vez deriva do persa e significa “rei”, por isso o jogo de xadrez passou a ser considerado um “jogo real”.

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Ibn Ammar e o jogo de xadrez

Poeta e oportunista, chegou em Sevilha sem dinheiro e disposto a jogar. Conquistou o rei, o pai de Al Mu’tamid, e a admiração do filho, um menino de 12 anos. Dizem que foram os poemas, o jovem sensível se encantou com os dons do forasteiro, em letra e palavra. Anos depois quando Al Mu’tamid assumiu o lugar do pai, Ibn Ammar chegou a vizir.

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