A catástrofe continua
Entre os dias 24 e 27 de fevereiro, um Tribunal Internacional de Consciência reuniu-se em Bruxelas e condenou os crimes cometidos por Israel contra o povo do Líbano. Entre os processos do tribunal, houve a leitura de uma declaração do International Action Center, uma organização de Ramsey Clark, ex-Procurador Geral dos Estados Unidos, na qual acusa a cumplicidade do imperialismo norte-americano na agressão ao povo libanês. Na mesma quarta, dia 27, o exército de Israel começava a operação mais violenta realizada desde que desocupou Gaza, em 2005. No primeiro dia, foram cerca de dez palestinos vítimas fatais dos ataques. Ao final de cinco dias de incursão, 120 pessoas eram contabilizadas mortas, e pelo menos metade eram civis.
Na sexta, dia 29, o vice-ministro da Defesa fez o que talvez seja uma das declarações mais esclarecedoras do que são as políticas israelenses em direção aos palestinos. Matan Vilnai decretou a possibilidade de um “holocausto”, a palavra usada foi “shoah”, caso os palestinos continuem a disparar foguetes. Naquele mesmo dia, uma criança palestina de 1 ano de idade era alvo dos mísseis das Forças de Defesa Israelenses.
A infra-estrutura de Gaza, já constantemente avariada pelo cerco sistematizado imposto por Israel desde a retirada de 2005, teve os abalos potencializados com os ataques da semana. Em relatório da World Health Organization de 2 de março, um balanço dos problemas estruturais que os palestinos sofriam como causa dos ataques israelenses. A área de saúde, já cheia de carências, foi severamente danificada. De acordo com o Ministério da Saúde, um estado de emergência havia sido declarado nos hospitais controlados por autoridades palestinas. Isso significou a suspensão de cirurgias eletivas,
Segundo o relatório, cerca de 85 medicamentos essenciais acabaram esgotados, drogas principalmente necessárias para salas de operação e intervenções de emergência. Combustível, que também é um problema crônico por causa do cerco israelense, apresentava um decréscimo no consumo devido à diminuição da demanda por causa dos dias quentes. No entanto, combustível voltou a tornar-se um problema nos dias, com os ataques. Um dos maiores problemas foi a pouca provisão destinada às necessidades das ambulâncias. Das 57 unidades do Ministério da Saúde, 23 estavam inutilizadas, e das 40 unidades do Crescente Vermelho, 7 não rodavam, por falta de combustível.
Outro problema foram os problemas que enfrentaram os profissionais de saúde. Segundo o relatório, nos hospitais de Beit Hanun e Kamal Edwan muitos não puderam reportar ao trabalho porque estão vivendo em áreas que estão sob ataque. Os problemas de estrutura na saúde somaram-se às centenas de feridos atingidos pelos ataques israelenses. Como disse Mohammed Omer, em reportagem publicada na newsletter 138, a mãe de uma das vítimas do bombardeio de Jabalyia levou seu filho para ser atendido em um hospital sem energia.



