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A história dos militares que não entram em território palestino

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Na última quarta-feira, dia 11, a editora Casa Amarela, com o apoio do Núcleo Edward Said do Icarabe, organizou debate para o lançamento do livro “Refuseniks”, de Peretz Kidron. Estiveram presentes o artista plástico Gershon Knispel, Emir Mourad, diretor da Fepal (Federação Palestina), e o cientista político e membro do Icarabe José Farhat.

Peretz, ao abrir o debate, procurou explicar a diferença entre soldados, os maus e os bons. Os bons obedecem, se são mandados atirar, atiram, se são mandados atacar, atacam. Se são mandados bombardear, bombardeiam. Os maus fazem perguntas. “Por que sou ordenado a atirar, por que sou ordenado a bombardear?” Peretz foi um mau soldado israelense. Fez perguntas demais.

Ele afirma não ser uma pacifista, mas sim judeu que viveu a 2ª Guerra Mundial. “Se não fosse pelos soldados soviéticos, americanos e britânicos, eu não estaria aqui falando com vocês. Em alguns momentos, a força é necessária. Mas nem toda luta é legítima”.

Peretz faz parte do Yesh Gvul, organização de ajuda e suporte a soldados israelenses que optam por recusar a servir nos territórios ocupados. Em 2006, não aceitaram entrar no Líbano e usar forças contra os civis. Segundo o ativista, seu grupo quer levantar perguntas e dúvidas em relação às certezas impostas pelo Estado israelense. “Refuseniks”, o livro que ele lançou pela Casa Amarela, conta um pouco da história desses soldados.

O autor revelou que a quantidade de militares que se recusaram a servir nos territórios ocupados da Palestina, desde que o movimento surgiu na década de 70, soma até o momento 4000. “Eles passaram a ser um ponto político importante dentro de Israel, pois”, como afirma o refusenik Kidron, “não é fácil recusar”.

O autor relatou a dificuldade que ele próprio teve em tomar a decisão de recusar. “Você perde o emprego, encara a prisão, a ira de seus colegas soldados, perde contato com a família. Há muitas formas de pressão social que podem ser feitas em um país como Israel, que é muito militarizado e de todos é esperado que sirvam. Então, nesse contexto, o fato de você ter cerca de 4000 soldados que recusaram, é muito significativo. A maioria são reservistas, mas há também casos de soldados ativos”.

O objetivo dos “refusers” é acabar com a ocupação, afirmar sua oposição por métodos de desobediência civil dentro do exército. “Eles não têm qualquer vocação para perseguir guerras, afinal, são soldados. Mas não permitem injustiças”.

O slogan do Yesh Gvul é simples: “Há coisas que uma pessoa decente não faz”. E completou: “Acho que não preciso explicar em um país com a história como a do Brasil o perigo que existe em um exército que obedece ordens que não deveria obedecer”.

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Arturo Hartman