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As reflexões do ex-representante brasileiro na Palestina*

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No dia 5 de junho de 1967, Arnaldo Carrilho, que construiu uma importante lista de serviços prestados à diplomacia brasileira, visitava uma amiga em Roma, onde era então Terceiro Secretário. Na casa de Claudia Campbell, casada com o filho do dono das sopas Campbell, “só para ter uma idéia de como ela era rica”, ele se voltou por um momento para a televisão. Ali na tela, na RAI, um general chamado Moshe Dayan e cenas que Claudia não se acanhou em chamar de 3ª Guerra Mundial. Na verdade, era o que ficaria conhecido como a invasão dos Territórios Palestinos. Nesse momento, Carrilho descobriu a existência do povo palestino. “Eu sou de uma geração em que não se dizia palestino, era esquisito. Eram os árabes”.

Quarenta anos depois, agora em 2006 e 2007, Carrilho foi o representante brasileiro junto à Autoridade Palestina, um dos mais difíceis trabalhos que pode ser oferecido a um diplomata. Ele morava em Jerusalém Leste e trabalhava em Ramallah. “A maior dificuldade é tratar a Palestina como uma nação, mas é obrigação de qualquer embaixador fazê-lo”. (Leia a entrevista que o embaixador concedeu ao Icarabe).

Quando os exércitos israelenses invadem o território que havia sido destinado aos palestinos pelas leis internacionais do final da década de 40, não surge apenas com mais solidez a idéia de um povo palestino, mas também tem início, segundo Carrilho, uma das maiores anomalias do direito internacional. “Todos os Tratados, as Convenções de Genebra sobre direitos internacionais, as Resoluções da ONU, a lei humanitária, tudo isso é descaradamente descumprido. O que era 48% (área da Palestina histórica que deveria constituir a nação Palestina pela partilha de 1948) chega hoje a 16% e em breve chegaremos a 11%. Hoje ela é um queijo suíço”.

O embaixador também incomoda-se com o modo que a eleição do Hamas foi tratada. Carrilho, por ofício de sua posição, foi conversar com o primeiro-ministro Ismael Haniyeh. Foi “muito bem recebido” e conversaram por cerca de 30 minutos. Quinze a respeito de futebol – Haniyeh foi jogador da seleção palestina – e quinze sobre a Trégua. “Esta foi provavelmente a eleição mais transparente do mundo árabe, atestada por parlamentares brasileiros que observaram o processo. Foi um protesto diante do mundo e o mundo respondeu o quê? São terroristas e tem que sofrer boicote”.

ERRATA: O site publicou no dia 24 de agosto que Arnaldo Carrilho teria sido designado para serviços diplomáticos na Bolívia. Na verdade, foi designado para ser o Embaixador Extraordinário do Brasil junto à Cúpula América do Sul-Países Árabes.

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