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Espaço literário

“Fachadas da Espanha”, do poeta iraquiano Salah Niazi

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Salah Niazi, é o último autor vivo dentre os grandes poetas iraquianos da geração dos anos 1950, que tiveram um importante papel no processo de modernização da poesia árabe contemporânea.

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“Matei Sherazade para que ela pudesse renascer com mais direitos”

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A escritora, jornalista e tradutora libanesa Joumana Haddad esteve no Brasil na última semana para divulgar seu livro “Eu matei Sherazade”, recém publicado pela editora Record. Em debate realizado em 18/11 pelo ICArabe, a editora e a Casa do Saber, Joumana falou sobre sua vida e formação política e intelectual, além de responder perguntas do público.

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ICArabe e editora Record promovem encontro com a escritora libanesa Joumana Haddad

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Poeta e jornalista, uma das mais engajadas representantes da luta pela liberdade feminina no Oriente Médio, Joumana participará de debate na Casa do Saber e de noite de autógrafos de seu livro “Eu matei Sherazade", na Livraria da Vila.

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Professor da Universidade de Zaragoza debate arabismos nas línguas portuguesa e espanhola

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Michel Sleiman, professor do Departamento de Letras Orientais da USP e diretor do ICArabe, comenta os temas discutidos na palestra do Prof. Federico Corriente, realizada em 21 de outubro, no Instituto Cervantes.

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Lançamento dos Cadernos de Subjetividade 2011 - São Paulo (SP)

Data: 
27/10/2011 - 20:00 - 23:00

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Poeta árabe Adonis recebe Prêmio Goethe

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Poeta árabe Adonis recebe Prêmio Goethe
O poeta sírio-libanês Adonis recebeu em Frankfurt o Prêmio Goethe. O júri homenageou o escritor por ter "transposto as conquistas do modernismo europeu aos círculos culturais árabes".
 Um luto profundo e um pavor devido à perda de humanidade permeiam o poema Nova York, de Adonis, parte do ciclo Tempo entre rosas e cinzas, que o autor recitou durante um festival em Berlim, no ano de 2003.
Adonis, cujo nome verdadeiro é Ali Ahmad Said Esber, nasceu em 1930 em Kassabin, uma pequena aldeia localizada no noroeste da Síria. Quando criança, ganhou uma bolsa de estudos concedida diretamente pelo então presidente do país, que o possibilitou frequentar uma escola de ensino médio. O presidente, na época, durante uma visita ao norte da Síria, ficou impressionado com a capacidade do garoto recitar poesias.
Durante seus estudos de Filosofia na Universidade de Damasco, Adonis aprofundou-se em questões relacionadas à tradição árabe-islâmica de formação intelectual. Foi quando começou a escrever poemas em estilo clássico, sem, contudo, publicá-los de imediato. Somente quando adotou o pseudônimo Adonis, o nome do deus greco-fenício da fertilidade, é que começou a obter sucesso.
"O poeta mais importante"
Depois de passar um ano na prisão por causa de suas atividades políticas em Damasco, Adonis fugiu para Beirute, onde casou-se com Khalida Said, que mais tarde se tornaria uma das críticas literárias mais importantes do mundo árabe. No Líbano, trabalhou como professor e jornalista, tendo mantido contato com um grupo de artistas, escritores e exilados políticos. Foi também ali que conheceu a literatura internacional.
O início de sua carreira literária se deu, mais tarde, com o lançamento de seu terceiro livro de poesia, Cantos de Mihyâr, o Damasceno, publicado no início dos anos 1960. A partir de então, Adonis tornou-se conhecido e sua obra poética passou a ser considerada significativa. Em 1973, escreveu uma tese de doutorado sobre O estático e o dinâmico, que se tornou uma das fontes mais importantes de poesia árabe desde o período pré-islâmico.
Adonis é um escritor com leitores em 22 países, cujo estilo moderno e ao mesmo tempo elegante é admirado por muitos literatos do mundo árabe. Ele influenciou a poesia do Oriente Médio ao norte da África, tendo se libertado da tradição poética árabe através da construção de novas formas. O escritor marroquino Taher Ben Jalloun afirmava, em 1982, ao diário francês Le Monde, que Adonis seria "o poeta vivo mais importante da lírica árabe moderna".
Visão de mundo profética
Adonis é também um pensador internacional, com obras traduzidas para diversos idiomas. A primeira tradução de um livro de sua autoria para o alemão aconteceu em 1989, com A árvore do Oriente. A esta sucederam-se Festa fúnebre para Nova York (1995) e Cantos de Mihyâr, o Damasceno (1998).
Do ponto de vista político, o escritor manteve sua postura crítica, com uma visão de mundo quase profética. Em entrevista à Deutsche Welle, no ano de 2001, ele assim previa o futuro do mundo árabe: "Se as relações políticas não mudarem na região árabe, se os donos do poder não pensarem no povo, se eles passarem todo o tempo pensando apenas em permanecer no poder, vamos então vivenciar catástrofes imprevisíveis".
Lembrando Goethe
Adonis é defensor aberto de uma postura laica e se diz convencido de que apenas a secularização da sociedade levará a cultura e a política árabes adiante. Ao semanário alemão Die Zeit, ele declarou em 2002: "Sempre quando a religião não impõe nada, a cultura árabe é magnífica. Tudo o que é isento de religião na cultura árabe é extraordinário". Sua poesia, publicada em livros, periódicos ou palestras, é vista por ele próprio como um projeto cultural civilizatório, capaz de reescrever e redefinir a história árabe.
Hoje, Adonis vive entre Paris e Beirute. O Oriente e o Ocidente, acredita o escritor, encontram-se sobretudo na arte e na poesia. Como dizia Goethe, lembra ele, "quem conhece a si mesmo e também o outro, irá reconhecer que o Oriente e o Ocidente não são mais separáveis". É Adonis quem também reconhece que "Leste e Oeste talvez sejam conceitos mais distintos do ponto de vista ideológico que geográfico".
Autora: Lina Hoffmann (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
Fonte: Deutsche Welle

O poeta sírio-libanês Adonis recebeu em Frankfurt o Prêmio Goethe. O júri homenageou o escritor por ter "transposto as conquistas do modernismo europeu aos círculos culturais árabes".

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"Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî, ganha tradução inédita em português

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"Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî, ganha tradução em português
Safa Jubran, professora de Língua Árabe na Universidade de São Paulo, acaba de publicar a tradução em português do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî (Amaral Gurgel Editorial). O lançamento aconteceu na última segunda-feira, 29 de agosto, na Livraria da Vila, em São Paulo.
Nascido em Almeria, em 1029, onde iniciou seus estudos, completados mais adiante em Córdoba e em Toledo, o autor é conhecido como Sâid Alqurtubî (o cordobês), Sâid Attulaytulî (o toledano) e, entre os orientais, como Sâid Alandalusî, o espanhol.
Embora dominasse várias áreas do saber, destacou-se como historiador das ciências. As biografias elaboradas por ele, as quais resultaram neste livro, representam um instrumento imprescindível para o estudo da ciência antiga e medieval. 
Este livro é uma das quatro obras do autor e a única cujo texto sobreviveu; dele sabe-se da existência dos outros três. Trata-se de uma das primeiras histórias das ciências em língua árabe. 
Leia abaixo uma entrevista com Safa Jubran sobre o livro e seu processo de tradução.
Esta é a primeira tradução do livro "Hierarquia dos Povos" para o português?
Para o português, sim. Há uma tradução francesa, uma inglesa e uma espanhola. Na Introdução, analiso rapidamente cada uma delas, mencionando suas qualidades e falhas.
Como foi realizado o processo de tradução? Foi utilizado somente o texto original em árabe ou também traduções em outros idiomas?
Usei três textos árabes, nenhum deles é confiável, isto é, nenhum deles teve uma boa edição. Aliás, mesmo sendo reconhecidamente um dos textos clássicos mais importantes, não mereceu até agora nenhuma edição boa. Usei para o cotejo também um manuscrito da British Library numa datação posterior. Exatamente, estes três textos, mais as três traduções foram trabalhadas no livro; mas para a tradução, parti de um dos textos árabes, que julguei menos problemático. Durante a tradução, quando o texto apresentava problemas ou equívocos, eu cotejava com os outros textos e outras traduções e citava cada uma em nota de roda-pé.
De que forma o texto original foi preservado? Há alguma explicação sobre o fato de somente esta obra de autoria de Sâ’id Alandalusî ter sobrevivido?
Existem várias copias manuscritas deste livro, de épocas diferentes, em várias bibliotecas e coleções pessoais, algumas são acessíveis, outras não. Não se sabe por que este livro sobreviveu e os outros não, existem hipóteses e conjunturas, que não vêm ao caso agora pelos detalhes que podem apresentar. Mas é interessante saber deste livro que além de suas obras que não sobreviveram, sabemos de outras obras por outras pessoas que também não chegaram até nós, e aqui está um dos aspectos que constitui a importância desta obra.
Qual a importância desta tradução para o resgate e memória da cultura árabe e sua história?
Antes de tudo, é um obra de referência importantíssima da história das ciências produzidas até então (séc. XI), uma vez que resgata as produções dos antigos, os tipos de conhecimento cultivado por um dado povo. Trata-se na verdade de uma história universal, não só do povo árabe, que, neste livro, é contemplado por uma capítulo só.
A estrutura do livro que é interessante e original. O autor diz que os povos originais do mundo habitado eram sete: os persas, os caldeus, os gregos, os coptas, os turcos (várias etnias), os indianos e os chineses. Estes, segundo o autor, se dispersaram, suas línguas se ramificaram e também suas religiões, mas que, apesar das diferenças marcadas, podem ser divididos em duas classes: uma que se interessava pela ciência e outra não. Àquela classe que produziu e propagou conhecimento, o autor dedica o livro, elaborando um capítulo a cada um de seus constituintes, a saber: os indianos, os persas, os caldeus,os gregos, os bizantinos, os egípcios, os árabes e os hebreus. Sendo assim, os árabes mereceram um capítulo dentro desta pequena história das ciências. Como disse, a importância do livro não se restringe a cultura árabe mas a cultura universal.

Safa Jubran, professora de Língua Árabe na Universidade de São Paulo, acaba de publicar a tradução em português do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî, obra imprescindível para o estudo da ciência antiga e medieval. 

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Safa Jubran lança tradução do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî

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Safa Jubran lança tradução do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî
A noite de autógrafos acontece na próxima segunda-feira, a partir das 18h30, na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena). 
Na próxima segunda-feira, 29 de agosto, a professora Safa Jubran lança a tradução do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî. A noite de autógrafos acontece das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena).
Nascido em Almeria, em 1029, onde iniciou seus estudos, completados mais adiante em Córdoba e em Toledo, o autor é conhecido como Sâid Alqurtubî (o cordobês), Sâid Attulaytulî (o toledano) e, entre os orientais, como Sâid Alandalusî, o espanhol.
Embora dominasse várias áreas do saber, se destacou como historiador das ciências. As biografias elaboradas por ele, as quais resultaram neste livro, representam um instrumento imprescindível para o estudo da ciência antiga e medieval. Sâid Alandalusî morre em Toledo aos 42 anos, em 1070.
Este livro, Tabaqât alumam, é uma dos quatro obras do autor e a única cujo texto sobreviveu; dele sabe-se da existência das outros três. São muitas as fontes do historiador, entre elas destacam-se o historiador árabe Alhamadhâni; o letrado e historiador Ibn-Qutayba Addînawar; o astrônomo persa Abu-Ma’char Albalkhî; o notável historiador e geógrafo Almas’ûdi; o erudito livreiro bagdali Ibn-Annadîm; os filósofos Alkindî e Alfarâbi; o tradutor e estudioso Hunayn ibn- Ishaq; e a tradução árabe de Alamgesto de Ptolomeu.
Trata-se de uma das primeiras histórias das ciências em língua árabe. O autor divide o mundo habitado em sete povos originais: os persas, os caldeus, os gregos, os egípcios, os turcos, os indianos e os chineses.  Esses povos, por sua vez, são divididas em duas classes: uma que contribuiu para o conhecimento intelectual e científico, e a outra que não cultivou as ciências, ocupando-se de tarefas e artes manuais.
A primeira classe abarca oito povos: os indianos, os persas, os caldeus, os gregos, os romanos/bizantinos, os egípcios, os árabes, e os israelitas. Uma parte do livro é dedicada a cada um desses povos e aos conhecimentos que cada um desenvolveu, seus autores e obras.  

A noite de autógrafos acontece na próxima segunda-feira, a partir das 18h30, na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena), em São Paulo.

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Dicionário Árabe-Português é resultado de 40 anos de trabalho

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Dicionário Árabe-Português é resultado de 40 anos de trabalho 
O Monsenhor Alphonse Nagib Sabbagh é um dos maiores estudiosos do árabe do país. Nascido no Líbano, veio para o Brasil em 1957. Criador do Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou sua vida à divulgação do idioma e da cultura de seu povo. No início deste ano, lançou o Dicionário Árabe-Português pela editora Almadena, obra a qual se dedicou por quarenta anos. 
Na entrevista abaixo, Monsenhor Alphonse Nagib falou ao ICArabe sobre a importância do idioma árabe, falado por mais de 300 milhões de pessoas, entre outros temas. 
O senhor lançou recentemente o Dicionário Árabe-Português. A qual público se dirige a obra e qual sua importância para o estudo do idioma árabe por falantes de português?
O Dicionário Árabe-Português, em primeiro lugar, se dirige aos leitores das línguas árabe e portuguesa, sem distinção.  Naturalmente, o interesse da cada grupo é diferente, de acordo com as suas necessidades.
Além do mais, a língua árabe tem fundamental importância na formação do léxico português e ocupa, também, lugar de destaque como uma língua de cultura, pela qual foram e são veiculados conhecimentos de toda a ordem.  
Deve-se considerar, também, o grande número de falantes, mais de 300 milhões, e aqueles que usam a língua do Profeta Muhammad, como instrumento litúrgico, cerca de 1 bilhão e 300 milhões de muçulmanos.  A partir desse ponto de vista, os árabes são ampla minoria entre os usuários de seu idioma natal.
Como foi o processo de produção do Dicionário? Quanto tempo o senhor levou neste trabalho? Houve colaborações de outros estudiosos e pesquisadores do idioma árabe?
O Dicionário é uma obra que nasceu naturalmente, decorrente da necessidade de apoio didático para o ensino do árabe na UFRJ.  O trabalho durou 40 anos e contou com o apoio institucional da UFRJ e com a colaboração de professores e de alunos do Setor de Estudos Árabes.  O trabalho lexicográfico não tem fim e nunca é completo. São necessários ajustes, atualizações e, por isso, é importante sua vinculação à uma instituição oficial.
O senhor possui larga experiência acadêmica e é criador do Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como avalia a forma com que a cultura e o idioma árabes têm sido divulgados no Brasil? Essa divulgação ainda é restrita ao ambiente acadêmico ou tem extrapolado para outros setores da sociedade?
No mundo contemporâneo, cada vez mais, impõe-se a necessidade do conhecimento do outro.  Os países árabes estão em evidência e presentes nos noticiários diários.  O brasileiro, em geral, tem curiosidade em se aprofundar em questões internacionais, que ocupam as manchetes.  Há, também, uma política de aproximação entre os governos dos países da América do Sul e dos países árabes, em busca de mercados alternativos.  Creio, assim, que há vários motivos para o aumento crescente pelo interesse da cultura árabe no Brasil.
Qual a importância da existência de editoras, institutos e demais instituições voltadas à promoção da cultura árabe no Brasil? 
Eu,que cheguei ao Brasil em 17 de novembro de 1957, em missão religiosa, recebi do Patriarca Melquita Maximus Saiegh a incumbência de divulgar a língua árabe no País.  Fiz o que me foi possível.  Vejo com muita alegria os avanços dos Centros de Estudos Árabes da USP e da UFRJ, produzindo trabalhos de qualidade, que envaidecem qualquer imigrante árabe. 
Com satisfação, constato segmentos editoriais voltados para a publicação da produção acadêmica sobre a língua, a literatura, a cultura árabe e árabe-brasileira. Parabenizo, também, o ICArabe por sua capacidade de difundir a cultura árabe entre os brasileiros, sem partidarismo inócuos, sendo porta-voz dos vários segmentos, que compõem a sociedade árabe no Brasil, possibilitando o diálogo livre, democrático e o debate de ideias.
Gostaria,por fim, de informar, aos interessados na aquisição do Dicionário Árabe-Português, que poderão adquiri-lo, com significativo desconto, pelo site:  www.almadenaeditora.com

O Monsenhor Alphonse Nagib Sabbagh é um dos maiores estudiosos do árabe do país. Nascido no Líbano, veio para o Brasil em 1957. Criador do Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou sua vida à divulgação do idioma e da cultura de seu povo. 

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Marcia Camargos recebe título de cidadã paulistana

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Título de Cidadã Paulistana para Marcia Camargos
 
A escritora Marcia Camargos, ganhadora dos prêmios Jabuti e Livro do Ano de 1998, receberá o Título de Cidadã Paulistana, na Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel. A jornalista e escritora atua reconhecidamente no resgate da memória cultural da cidade, prestando, inclusive, consultoria histórica para duas minisséries da TV Globo.
 
‘‘Marcia é uma pesquisadora que contribui amplamente a favor da nossa cultura e história, tão esquecida nos dias de hoje. É o tipo de postura que devemos incentivar e, por isso, resolvi conceder esse título’’ explica o vereador Eliseu Gabriel.
 
Marcia é biógrafa do maior escritor infantil brasileiro, Monteiro Lobato. Ela relatou momentos importantes da história paulistana em livros, como o ‘‘Villa Kyrial: crônica da Belle Époque paulistana,’’ tema defendido na USP durante o doutorado. Essa profissional também integra o Conselho Editorial da Expressão Popular, que incentiva e produz livros a baixo custo para movimentos sociais. Membro do Icarabe, também participa da Frente de defesa do Povo Palestino. 
 
A homenagem será entregue no dia 17 de junho, às 19h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, nº 100, 8º andar.
 Receber este título é uma honra enorme, que se torna ainda maior por ter sido proposta por alguém que, assim como o nosso mestre Florestan Fernandes, que até hoje nos inspira, teve sua vida e militância política pautadas na defesa da educação e no combate às injustiças sociais. Apesar do respeito e da estima que tenho pela minha mineiridade, creio que a melhor coisa que meus pais fizeram foi terem saído de Minas e vindo para a capital paulista, pois escapei de uma ambiente naquela época sufocante e restritivo. São Paulo, por sua vez, pode se tornar surpreendentemente calorosa e acolhedora para os que não se deixam aniquilar pela sua grandeza. Muito cedo eu aprendi que, na minha nova cidade, eu precisava decifrar o enigma para não ser devorada. E por meio dos livros, que fui lendo e depois escrevendo sobre a sua história cultural, Monteiro Lobato, Semana de 22, modernismo, Teatro Municipal e Pinacoteca, consegui ir desconstruindo a imensidão na qual as massas anônimas se perdem para encontrar o equilíbrio na elegância discreta de suas meninas, atravessando com segurança a esquina da Ipiranga com a avenida São João. Espero, portanto, continuar merecendo a confiança deste lugar que recebeu a mim e à minha família, onde desenvolvi minhas atividades e minha atuação política. Uma cidade que desde sempre adotei como minha e que agora, oficialmente, com este título, me acolhe como uma de suas filhas legítimas".  
Flip:
Mesa 2 : Marco zero modernista - debate com Gonzalo Aguilar às 15 horas do dia 7, quinta-feira na Tenda dos Autores
 Debate com Gonzalo Aguilar 
Gonzalo Aguilar
m o espírito futurista e as contradições político-estéticas que eclodiram com a urbanização do país. Pesquisadores de nossa modernidade histórica e literária mostram as múltiplas facetas do poeta nativista que escreveu painéis romanescos e romances cubistas.
 

A escritora Marcia Camargos, ganhadora dos prêmios Jabuti e Livro do Ano de 1998, e colaboradora do ICArabe, recebeu o Título de Cidadã Paulistana, na Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel.

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Mesa redonda e lançamento do Livro da Alma, de Ibn Sina (Avicena)

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Data: 
31/05/2011 - 18:30 - 21:30

 


envio, em anexo, o convite para o lançamento do Livro da alma de Ibn Sina

(Avicena)
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O “Livro da alma”, de Avicena, recebe a primeira tradução direta para o português

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Miguel Attie Filho, professor especializado em filosofia árabe, foi o responsável por esse importante trabalho de resgate da obra de um grande pensador
O filósofo persa Ibn Sina, também conhecido como Avicena, escreveu o “Livro da alma” em 1027. Médico, astrônomo, pensador que transitava entre todas as disciplinas, Avicena representa o ponto alto da filosofia escrita árabe, a falsafa. 
Mas, engana-se quem acha que seus escritos ficaram restritos ao mundo árabe. A falsafa bebeu diretamente na fonte da cultura clássica grega, dialogando com a obra de nomes como Aristóteles, e, posteriormente, já em âmbito europeu, com figuras como São Tomás de Aquino. 
Vem daí a imensa importância do trabalho de tradução direta para o português de “Livro da alma”, realizado pelo professor Miguel Attie Filho. Não se trata somente de tornar acessível um texto relacionado à filosofia árabe, mas de demonstrar que a forma como o conhecimento tornou-se compartimentado – e particularmente cingido entre os conceitos de Oriente e Ocidente – está na contramão do intenso diálogo que propiciou que obras fundamentais como essa fossem escritas. Segundo Attie, a história do pensamento é uma só, e é isso que demonstra o estudo da obra de Avicena, que foi influenciado e influenciou culturas aparamente distintas. Publicado pela editora Globo, o livro está disponível em diversas livrarias. 
Professor Livre-Docente de Filosofia e História do Pensamento Árabe do Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), Miguel Attie dedica-se à pesquisa e tradução da filosofia escrita em árabe, principalmente nas obras de (Avicena), Al-Kindi, Al-Farabi e Ibn Rushd (Averrósi). Mas também concentra esforços na difusão da reconstrução e crítica da história do pensamento universal. Seu trabalho pode ser conhecido por meio de dois sites "Falsafa -  Filosofia Árabe” e  "Marcas e Pensamentos". 
Confira abaixo a entrevista de Miguel Attie Filho para o ICArabe.
Esta tradução de “Livro da alma” é a primeira realizada diretamente para o português? 
“Livro da alma” foi escrito em 1027, e em 1250 foi traduzido para o latim. Em 1950, num movimento de resgate desses materiais nas universidades europeias, foi feita uma tradução para o francês, a partir da tradução latina. Esta é a primeira tradução feita diretamente do árabe para o português, em diálogo com as outras duas. Mas o trabalho não se restringe apenas à tradução, foi preciso reformular o vocabulário e explicar diversos conceitos. Houve também o trabalho de criação do glossário.
A obra de Avicena dialogou com o pensamento europeu?
Sim. A obra influencia e dialoga tanto com o pensamento oriental como ocidental. É uma das alavancas da metafísica iraniana. A partir da tradução para o latim, contribuiu para a reconstrução do pensamento cristão. São Tomás de Aquino dialoga com Avicena, que é uma figura central que antecede essa cisão entre pensamento oriental e ocidental. Os árabes guardaram a cultura clássica e a transferiram para a Europa. O pensamento europeu – inclusive a produção dos teólogos cristãos – vem da tradição Greco-árabe. Posteriormente, a retomada dos clássicos gregos cinde as questões ciência e teologia. A filosofia grega, assim como a árabe, não trata da questão religiosa. Dessa forma, apesar de se chamar “Livro da alma”, a obra de Avicena não fala da perspectiva religiosa, mas segue a tradição de Platão e Aristóteles. Os árabes não recebem a filosofia com a censura imposta pela religião, são herdeiros da tradição filosófica grega.
Como a obra de Avicena se insere na história da falsafa, a filosofia escrita em árabe?
A falsafa tem seu momento de intensa produção entre os séculos IX e XV, sendo que Avicena representa seu ápice, pois viveu em um momento político favorável e fez o recolhimento da tradição anterior, utilizando conceitos de histórico muito longo. Avicena produziu uma enciclopédia, Al Sifa, ou Cura da alma, de 12 volumes, reunindo todo o conhecimento disponível na época. Além de filósofo, Avicena foi médico, astrônomo e teve contato com todas as disciplinas. O “Livro da alma” é uma das seções desta enciclopédia, dentro das ciências naturais, e estuda o movimento dos corpos na natureza. Esta obra segue a divisão das ciências proposta por Aristóteles, e traz a fusão de várias teorias, inspirando diversos autores posteriores.
O que se sabe da figura de Avicena?
O filósofo Avicena deixou uma autobiografia, o que permite que tenhamos contato com acontecimentos de sua vida. A obra foi completada por um discípulo após sua morte e trata-se de uma fonte de informações muito interessante. Avicena se formou nos estudos da ciência do Alcorão e aos 10 anos foi introduzido nas chamadas ciências intelectuais, matemática, lógica. Aprendeu medicina por conta própria e tornou-se médico conhecido na região dos atuais Uzbequistão e Irã. Produziu obras de filosofia e medicina, tendo recolhido em suas obras os conhecimentos disponíveis sobre essas ciências. 
Em sua opinião, o interesse por obras de origem árabe tem aumentado no Brasil?
Acredito que esta é uma tendência do mercado editorial, não só o brasileiro. A partir da década de 1950, houve um aumento na busca e procura por textos de origem árabe, persa, indiana, e também uma abertura para a pesquisa. Nesse sentido, o professor Carlos Arthur Ribeiro do Nascimento foi pioneiro, pois introduziu o estudo da filosofia árabe no Brasil.
Qual a importância do estudo de textos como o “Livro da alma” atualmente?
A leitura de obras como essa ajuda a costurar a história do pensamento. Avicena ajuda a uniras vozes de toda a civilização. Enxergo a civilização planetária como uma só, mas hoje a visão de cultura e de civilização vigente diz que existem várias manifestações, separadas. No século XXI devemos procurar evidenciar as ligações existentes entre as várias culturas, contribuindo para diminuir o estranhamento em relação à figura do outro. A partir do entendimento, talvez vejamos que o “outro” não é tão “outro” assim. É lógico que as particularidades são importantes para a formação das identidades, mas isso nos ajudaria a desmontar paradigmas como o do Ocidente e Oriente.

Miguel Attie Filho, professor especializado em filosofia árabe, foi o responsável por esse importante trabalho de resgate da obra de um grande pensador

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O outro lado do muro traz histórias de vida de palestinos sob a ocupação israelense

capa livro

O lançamento do livro acontece no dia 29 de março, terça-feira, e conta com debate entre a autora e a jornalista palestina Soraya Misleh.

O resultado dessa experiência é o livro Do outro lado do muro (Ed. Multifoco), que será lançado no dia 29 de março, na Livraria da Vila. Além da noite de autógrafos, o lançamento conta com uma mesa-redonda sobre a questão palestina com a presença da autora, de Arlene Clemesha, diretora do Centro de Estudos Árabes da Universidade de São Paulo (USP) e de Soraya Misleh, jornalista palestina e diretora do Instituto da Cultura Árabe (ICArabe).  
Graduada pela ECA-USP, ativista e pesquisadora nas áreas de educação e direitos humanos, Fernanda conta, na entrevista abaixo, detalhes sobre a viagem e a experiência de escrever sobre a questão Palestina.
ICArabe: O livro O outro lado do muro conta sua experiência de viagem à Palestina. O que despertou seu interesse pelo tema? De onde surgiu a ideia de viajar e escrever sobre a região?
Fernanda Campagnucci: Como jornalista e ativista na área de direitos humanos, sempre acompanhei com aflição as notícias sobre o conflito israelo-palestino, e seus ciclos de violência que se repetem com o silêncio complacente da chamada comunidade internacional. Mas, embora não tivesse nenhuma relação mais estreita com o tema, sabia que se tratava de uma violência com origens bem precisas, que não remontam a “milênios”, como diz o senso comum. Uma pessoa que acompanha o assunto apenas pelo noticiário muitas vezes não sabe disso, e desmistificar essa noção de que o conflito é uma tragédia sem fim, contextualizar as causas e forças em jogo, me pareciam uma tarefa fundamental do jornalismo, e o tipo de jornalismo que eu queria fazer. 
Estava morando na França quando surgiu a oportunidade de viajar para a Palestina e conhecer a situação de perto. Na faculdade, tive contato com um grupo de estudantes da União Geral dos Estudantes Palestinos, que, articulado a estudantes franceses, inclusive judeus, estava organizando um intercâmbio para jovens europeus. Como era um grupo bem interessante e diverso, aproveitei a “carona” e me juntei a eles, o que foi ótimo para abrir meu leque de pontos de vista. 
Além disso, tem toda a simbologia que carrega o muro erguido por Israel para segregar o território palestino. No prefácio do livro eu digo que “um muro tão acintoso como esse é quase um convite a tentarmos enxergar o que há do outro lado”. 
ICArabe: Quando aconteceu sua viagem para a Palestina? Fale um pouco sobre o trajeto, roteiro, locais visitados etc.
Fernanda Campagnucci: A viagem aconteceu em julho de 2007, exatamente no momento em que os partidos Hamas e Fatah se enfrentavam da Faixa de Gaza (depois que a vitória do grupo islâmico nas eleições não foi reconhecida pelo Fatah). Era impossível entrar em Gaza, que se encontrava completamente bloqueada. 
Havia algum reflexo da disputa na Cisjordânia, mas não cheguei a presenciar confrontos diretos. Em um dos dias, porém, estava num hospital quando vi chegarem dezenas de estudantes feridos em um confronto que aconteceu entre partidários do Hamas e Fatah, numa universidade.
Entrevistei israelenses em Tel Aviv, e conheci as contradições da cidade, moderna, luxuosa, desigual e obcecada por segurança. Também visitei Jerusalém, e fiquei hospedada em um albergue na cidade velha, entre turistas e ativistas. Passei pelas cidades de Ramala e Lod, que foram importantes cidades árabes no início do século 20 e hoje estão em território israelense, e onde se encontra muito viva a lembrança de moradores sobre os massacres de 1948. 
Visitei comunidades beduínas do deserto do Neguev, que vivem em dezenas de cidades árabes que não existem oficialmente no mapa de Israel, as “cidades invisíveis”. Por fim, conheci Jaffa, a bela cidade portuária que se tornou mundialmente conhecida por suas laranjas e fazia da Palestina a maior exportadora da fruta no século 19 – a cidade foi rebatizada de Yaffo, em hebraico, mas Israel manteve a prestigiosa marca com seu nome árabe. Os moradores árabes, cidadãos israelenses, denunciam ali um processo de gentrification, ou expulsão das famílias com a supervalorização dos imóveis. 
Na Cisjordânia, pude conhecer Belém, e o impacto da ocupação militar israelense na vida das pessoas que por muito tempo viveram do turismo. Ali perto, presenciei um protesto contra o muro em Um Salamona, a exemplo do que acontece às sextas-feiras em várias cidades palestinas; as cidades de Deishé e Nablus, mais ao norte, e sua intensa vida associativa (de organizações políticas e culturais); Tulkarem, que fica bem próxima ao muro, onde conheci uma associação de mulheres, vi casas divididas ao meio e tive contato com a maior comunidade negra da palestina. Ouvi muitas histórias comoventes no campo de refugiados de Balata, e no pequeno povoado de Yanun senti o desespero das famílias que, cercadas por colônias sionistas, perdem suas plantações de oliveiras e sua fonte de subsistência.
ICArabe: Foram feitos contatos com movimentos e ativistas da causa palestina antes da viagem? Você entrevistou personalidades políticas e gente comum? Quais foram os critérios que definiram quem seriam os entrevistados?
Fernanda Campagnucci: Além dos estudantes palestinos de que falei, entrei em contato com o jornalista Michael Warschawski, do AIC – Alternative Information Center – e Jeff Halper, do ICAHD – Comitê Israelense contra a Demolição de Casas. Depois os entrevistei lá. Mas conheci vários outros ativistas pelo caminho, de vários países e diferentes visões sobre o conflito.
Na verdade, me interessavam mais os “anônimos”, pessoas que tinham suas histórias de vida para contar, já que eu buscava dar um rosto humano aos números do conflito, às estatísticas pavorosas do noticiário. A ideia era ir contando, em forma de diário, mesmo, todo o tipo de encontro que tive ali. Mas acabei falando com funcionários da Autoridade Palestina, em gabinetes como o Ministério da Saúde, até para tentar obter algumas informações oficiais. 
ICArabe: De forma geral, qual sua impressão sobre a Palestina? O que mais chamou sua atenção?
Fernanda Campagnucci: Sem dúvida, me impressionou a intensa vida associativa na Palestina. Ainda que com muita dificuldade de financiamento, e de condições mesmo de existência, há muitas organizações políticas e culturais, associações de moradores. Isso impressiona porque o território palestino está em frangalhos, dividido em ilhas, bantustões, e é quase impossível a circulação dos palestinos entre cidades do norte e sul da Cisjordânia, por exemplo. Eu não esperava uma vitalidade tão grande dessas organizações, com a ressalva da precariedade de sua atuação. Boa parte disso se deve à presença de ONGs internacionais, cuja entrada Israel tem intenção de barrar (recentemente, soube que estavam impedindo a retirada de vistos de trabalhos em ONGs internacionais que atuam na Cisjordânia). Também me chamou a atenção o engajamento das crianças, adolescentes e mulheres nessas associações.
ICArabe: Em relação às mulheres, permanece no Ocidente o estereótipo de opressão relacionado à cultura árabe, caracterizada como machista. Qual sua impressão sobre essa questão?
Fernanda Campagnucci: As mulheres palestinas tradicionalmente participaram da mobilização por sua terra, a despeito da imagem estereotipada do ocidente com relação a elas. Segundo o historiador Ilan Pappe, a primeira associação de mulheres na região foi fundada em 1903. Encontrei e entrevistei muitas mulheres, muçulmanas ou não, todas engajadas de alguma maneira na luta pela paz. Mouna, muçulmana e integrante de uma associação de mulheres em Tulkarem, me disse justamente que as mulheres palestinas sempre lutaram ao lado dos homens, “de igual para igual”, nas palavras dela. Para Mouna, o que se transmite para quem está fora é a imagem de uma mulher aprisionada em casa, e talvez por isso ela tenha se preocupado em fazer para mim esse discurso tão marcado na questão de gênero.     
ICArabe: Você enfrentou alguma dificuldade para circular nos territórios palestinos? Sofreu alguma restrição por parte das forças israelenses? Alguma dificuldade específica pelo fato de ser mulher?
Fernanda Campagnucci: Há infinitas dificuldades de circulação, mas uma pessoa com um passaporte de outro país, como o meu, tem privilégios que os palestinos estão longe de ter. Como eu disse antes, a Cisjordânia é um verdadeiro arquipélago, onde há centenas de postos de controle (os chamados checkpoints) controlados por soldados israelenses. Um caminho simples, de 40 minutos, pode levar várias horas  para ser feito. Os taxistas, acostumados com a situação, se comunicam e sabem quando determinados postos estão fechados, e quais desvios tomar. Em alguns desses controles só se pode passar a pé. Em todos os dias que circulei por esses checkpoints, vi filas enormes de palestinos que esperavam para cruzar, e na maioria das vezes os homens eram impedidos de passar. A relativa facilidade que desfrutei por causa do meu passaporte me deixou constrangida e revoltada, muitas vezes.   
Por outro lado, os visitantes internacionais não são bem-vindos nos territórios ocupados, então há questionamentos e constrangimentos o tempo todo. Criaram dificuldades com o guia palestino que nos acompanhava, também. Mas conseguimos driblar todas essas situações. O pior interrogatório, no entanto, se deu no aeroporto, na volta. 
ICArabe:  Qual o maior desafio ou maior dificuldade em colocar toda essa experiência no papel?
Fernanda Campagnucci: Antes de partir, como preparação, mergulhei no tema por seis meses – devorei livros e documentários sobre a questão palestina. Quando voltei, estudei o tema por mais um ano e meio, inclusive cursando disciplinas sobre judaísmo e a História da Palestina na USP, para escrever o livro baseado em meu diário de campo. Então, embora a viagem tenha durado 17 dias, o trabalho todo levou dois anos. O livro foi apresentado em dezembro de 2008 como trabalho de conclusão de curso da ECA-USP, mas só agora está sendo publicado. 
A grande dificuldade foi desconstruir os mitos que pairam sobre o conflito israelo-palestino, sair do senso comum, e contextualizar de forma didática (como deve ser o jornalismo) os fatos em meio às histórias que encontrei. Ao mesmo tempo, fazer de tudo isso um relato interessante, de leitura fluida. Infelizmente, tudo que relato no livro continua muito atual. 
Durante minha viagem à Palestina, ouvi de muitas pessoas a mesma frase: “volte, e conte o que viu aqui”. Essas coisas acabam dando mais peso à responsabilidade de testemunhar todos aqueles casos. Ficavam martelando na cabeça: não é necessário exagerar, ou romancear, “é só contar o que viu”.
 
Serviço
O outro do muro – uma viagem à Palestina
Fernanda Campagnucci
Editora Multifoco
Ano: 2011
Páginas: 218
Preço: R$ 40,00
Lançamento
Dia: 29 de março de 2011
Horário: 18h30 às 21h30
Local: Livraria da Vila – Rua Fradique Coutinho, 915/ Pinheiros – São Paulo, SP
Tel: (11) 3814.5811

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Curso Edward Said e o Orientalismo - São Paulo (SP)

Data: 
01/04/2011 - 14:00 - 10/06/2011 - 16:00

 

Curso Edward Said e o Orientalismo - são Paulo (SP)
O objetivo do curso é introduzir a obra do intelectual palestino Edward W. Said a não iniciados, principalmente sua tese mais famosa, o Orientalismo.Coordenano pela Prof. Dr. Arlene Elizabeth Clemesha, o curso será ministrado pelas professoras Isabelle Christine Somma de Castro e Marina Juliana de Oliveira Soares.
A atividade é promovida pelo Departamento de Letras Orientais da FFLCH/USP, e conta com o apoio do Núcleo de Estudos Edward said, do ICArabe.
Para matrícula e mais informações acesse http://sce.fflch.usp.br/node/318 
A atividade é gratuita. 
Promoção: 
Departamento de Letras Orientais, da FFLCH/USP.
Períodos e Turmas
Início e fim da aula: 
01/04/2011 - 10/06/2011
Horário das aulas: 
Sexta-feira, 14:00 às 16:00
Local das aulas: 
Prédio de Letras, Av. Prof. Luciano Gualberto, 403. Cidade Universitária. 

O objetivo do curso é introduzir a obra do intelectual palestino Edward W. Said a não iniciados, principalmente sua tese mais famosa, o Orientalismo.

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Mil Palavras Árabes na Língua Portuguesa

Em Letras e História, Assaad Zaidan apresenta aos leitores uma breve e interessante introdução à história da língua árabe, seguida de um dicionário de vocábulos árabes presentes na língua portuguesa. 

O autor analisa inicialmente a definição de língua, os sistemas de escrita, a língua árabe, seu desenvolvimento e difusão, a chegada dos árabes à Península Ibérica e a rica herança cultural deixada, até chegar, finalmente, à imigração árabe no Brasil. 
Na última parte do livro, são apresentadas as mil palavras árabes na língua portuguesa, com sua etimologia e os significados em ambas as línguas. É uma obra de consulta obrigatória para estudantes, professores, lingüistas, e aos interessados na história da língua árabe e na sua contribuição para a língua portuguesa, bem como na cultura árabe em geral.
Mais informações
ISBN 10: 85-314-1277-3
ISBN 13: 978-85-314-1277-6
Formato: 16x23 cm 
Nº de Páginas: 288 pp. 
Peso: 335 g
Co-Editora(s): Escrituras Editora

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Debate e lançamento do livro "O outro lado do muro" - São Paulo (SP)

Data: 
29/03/2011 - 18:00 - 21:30

O outro lado do muro – Uma viagem à Palestina é um livro-reportagem sobre o conflito israelo-palestino.Durante 17 dias, a autora Fernanda Campagnucci percorreu cidades de Israel e da Cisjordânia e encontrou pessoas que tiveram suas vidas profundamente modificadas pela disputa na região.

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O problema com a literatura árabe

Não quis acreditar quando me foi dito que menos de 10.000 livros importantes da literatura internacional tinham sido traduzidos para o árabe desde o Século IX.

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