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Ana Maria Straube

Documentário aborda o conflito Israel-Palestina sob a ótica do futebol

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Dirigido por quatro brasileiros, "Sobre Futebol e Barreiras" acompanhou a Copa do Mundo de Futebol de 2010 nos territórios ocupados e discute a questão palestina tendo o esporte como pano de fundo. O filme será exibido na Semana do Povo Palestino, que acontece entre 25/11 e 1/12.

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Exposição homenageia o centenário de nascimento de Azor Feres

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Entre os dias 24 de novembro e 4 de dezembro, o Clube Atlético Monte Líbano exibirá obras do pintor e advogado, filho de libaneses. Nesta entrevista, Carim Feres, filho de Azor, conta detalhes da vida do artista e de sua paixão pela pintura.

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Processo de paz entre Israel e Palestina está paralisado

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O conflito Israel Palestina será um dos temas abordados pelo curso
"Mundo árabe - conjuntura atual e perspectivas", que começa na próxima
quinta-feira, 27 de outubro. Leia aqui a entrevista com o Prof. Salem Nasser, que ministrará aula sobre a questão.

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As perspectivas da relação política entre Brasil e Oriente Médio

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Uma das aulas do curso "Mundo árabe - conjuntura atual e análise de cenários", que começa em 27 de outubro, será dedicada ao tema "Brasil e Oriente Médio, os caminhos da política externa brasileira". Nesta entrevista, a Profa. Cristina Pecequilo (Unifesp) adianta algumas das questões que serão abordadas.

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Conhecimento para desconstruir estereótipos ligados ao Islã

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Conhecimento para desconstruir estereótipos ligados ao Islã
O curso Islã: religião e civilização foi realizado no Rio de Janeiro, entre 14 de setembro e 5 de outubro. A atividade, que abordou temas como as diferentes configurações religiosas ligadas ao sunismo, xiismo e sufismo, reformas religiosas e militância política, foi organizada pelo Professor Paulo Hilu da Rocha Pinto, professor do Programa de pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio/UFF.
Leia a seguir uma entrevista com o Professor Paulo Hilu sobre o curso.
1. O curso Islã: religião e civilização apresentou um panorama histórico e também político. De que maneira a iniciativa pode ajudar a desfazer mitos e preconceitos em relação ao Islã?
Sim, cursos como o Islã: religião e civilização, que são abertos à todos os que se interessem pelo assunto, têm um papel importante em permitir que o conhecimento acadêmico sobre o islã. Como o saber acadêmico  procura desconstruir idéias pré-concebidas e representações simplificadoras ou estigmatizantes, isso com certeza permite que visões mais embasadas na realidade social e cultural das comunidades e sociedades muçulmanas possam circular na sociedade.
 
2. Quais são as principais confusões e equívocos em relação à religião islâmica difundidos pelo senso comum e pelos meios de comunicação comerciais?
Sem dúvida o pior estereótipo sobre o islã é a associação generalizadora entre islã e terrorismo ou formas de opressão do sujeito. Não que não existam grupos ou fenômenos sociais que possam ser ligados a essas representações, mas violência e opressão existem em todas as tradições religiosas e não podem ser indiscriminadamente associadas a todos os muçulmanos.
 
3. Como foi a procura pelo curso? Qual é o tipo de  público que demonstrou mais interesse na atividade?
 
A procura foi bastante boa, com muitos inscritos. O público do curso tem uma formação muito variada, de pessoas da universidade a profissionais liberais ou do serviço público
4. A informação de que o Islã é a religião que mais ganha adeptos no mundo é verdadeira?
Na verdade essas afirmações "espetaculares" são meras estimativas, mas pode-se dizer que o islã e o cristianismo (ambos divididos em diversas correntes e grupos) têm tido uma grande expansão nas últimas três décadas
 
5. Recentemente foi exibido em São Paulo um documentário que trata do crescimento da religião islâmica entre jovens brasileiros, especialmente na periferia de grandes centros urbanos. A que se deve esse movimento? 
Esses jovens convertidos seguem o padrão de conversão ao islã que analiso em meu livro, "Islã: religião e civilização", pois são artistas, intelectuais e militantes periferia, que possuem um alto capital cultural ligado a militância política e no Movimento Negro. Assim, não se trata realmente de uma mudança no padrão sociológico da conversão ao islã no Brasil, que geralmente envolve pessoas de classe média e/ou com alto padrão de capital cultural.

O curso Islã: religião e civilização foi realizado no Rio de Janeiro, entre 14 de setembro e 5 de outubro. A atividade foi organizada por Paulo Hilu da Rocha Pinto, professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio/UFF.

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Curso de especialização em danças orientais reponde demanda por profissionalização

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A pesquisadora e dançarina Cristina Antoniadis tem larga experiência na performance e no ensino das danças orientais. Em 2012, Cristina coordenará um curso de especialização voltado para a profissionalizar quem já pratica danças orientais.
A atividade, que tem apoio do ICArabe, acontecerá ao longo de cinco meses, no Pandora Espaço de Danças. 
Na entrevista a seguir, Cristina fala sobre o aumento da procura por cursos de danças orientais no Brasil e no mundo, e também sobre a demanda por profissionalização que este fenômeno acarreta.
Qual será o conteúdo do curso de especialização em danças orientais? Além de aulas práticas, haverá momentos dedicados ao estudo teórico do assunto?
O curso de especialização será muito rico em conteúdo, contendo uma grande parte da carga horária destinada ao estudo teórico dos diversos assuntos e questões que as danças árabes englobam. O curso será dividido em três módulos de cinco meses de duração, sendo que o primeiro módulo será praticamente teórico abordando não somente a teoria relacionada á música e a dança, mas também aspectos históricos, geográficos e culturais.
O curso será profissionalizante. Qual é a importância de profissionalizar a prática das danças orientais no Brasil?
O número de pessoas interessadas nestas danças tem aumentado de forma considerável nos últimos anos, e isso é um fenômeno mundial. Devido a este fato é crescente também o número de professores e bailarinos que têm esta atividade como profissão. Entretanto nem todos têm acesso às informações necessárias para a prática e difusão destas danças de forma adequada. Saber executar os passos de determinada dança não é o suficiente, ainda mais a dança oriental árabe que carrega consigo não somente os movimentos, mas também inúmeros aspectos culturais, musicais e históricos relacionados, sem contar as lesões corporais que pode causar se for praticada de forma inapropriada. Por isso se faz necessário um curso que permita aos interessados em ter esta atividade como profissão um embasamento mais profundo do significado, contexto e tradições na qual estão inseridas. Outro aspecto que o curso irá abordar é o da prática da profissão de forma legalizada, ou seja, como o profissional pode se respaldar na lei para ter acesso aos direitos de qualquer trabalhador, bem como também assuntos relacionados à administração, marketing, direito contratual etc.
Existe uma estimativa de quantas pessoas praticam danças orientais no Brasil ou em São Paulo? Qual a porcentagem delas pode ser considerada profissional?
Infelizmente não existe nenhum estudo sobre o número de praticantes de danças orientais árabes e profissionais desta área no Brasil ou em São Paulo, por isso não temos esta estimativa. Entretanto, sabemos que o número de escolas especializadas e academias de danças é crescente. Para se ter uma idéia, o maior festival de danças orientais árabes da América Latina ocorre em São Paulo, uma vez ao ano, e recebe por volta de 10 mil pessoas. São três dias de festival, nos quais são apresentados mais de 400 números de danças orientais. O festival acontece no mês de abril e as inscrições esgotam-se já em janeiro. Sem contar os festivais menores que ocorrem todos os meses do ano. Não podemos esquecer também das inúmeras festas árabes, noites temáticas e eventos nos quais os organizadores sempre contam com as danças orientais. Tudo isso nos permite ter uma idéia da dimensão que a dança esta tomando, o que é maravilhoso, desde que executada e transmitida de forma adequada.
De que forma a prática da dança de forma amadora e sem o conhecimento teórico prejudica a difusão da cultura oriental?
De forma avassaladora, criando estereótipos pejorativos e depreciando uma arte tão bonita e rica. Devido a este amadorismo a dança oriental ainda é vítima de muitos preconceitos, inclusive dos próprios árabes e descendentes, que acabam se distanciando da própria cultura, e isto é muito triste.
O Pandora Espaço de Danças tem se firmado como espaço de difusão sério e comprometido das danças árabes e orientais. Existe muita procura por esse tipo de curso e qual é o público mais frequente?
Na verdade, o Pandora é especializado em dança e música do Oriente Médio. A procura é grande. A dança oriental árabe clássica, a chamada “dança do ventre”, atrai mulheres de todas as idades, etnias e tipos físicos. Especificamente no Pandora o público é bastante interessado também nos aspectos culturais, musicais e históricos, o que me deixa muito feliz. A dança oriental clássica é um bálsamo para as mulheres de hoje, pois possibilita que elas entrem em contato com sua feminilidade, eleva a auto-estima, não exige padrões físicos e estéticos, e é um excelente e completíssimo exercício físico (queima em média 300 calorias por hora) ao mesmo tempo em que proporciona prazer. Por isso o público é muito variado. Existem alunas que querem apenas relaxar, outras que não gostam de academia e querem um bom exercício físico, algumas descendentes de árabes que querem resgatar suas origens, e existem também as que querem se apresentar em publico e/ou tornar-se profissionais.
Quais danças podem ser consideradas especificamente árabes e qual a diferença delas para as danças orientais como um todo?
Existem muitas danças que são de origem árabe. O mundo arabizado tem uma extensão geográfica muito grande e engloba diversos países, por isso temos danças que são comuns entre os árabes e outras não. O dabke, por exemplo, é uma dança folclórica muito típica do Líbano, Síria, Jordânia, Palestina e encontrada também de uma forma diferenciada no Iraque e até mesmo na Grécia, mas não é dançada no Egito, Tunísia, Marrocos. A dança khaligee é bem específica do Golfo Pérsico, e por aí vai. Já a dança oriental árabe clássica, raks el shark, é uma dança em comum dos muitos povos árabes e vai além, pois também é encontrada na Turquia, Grécia, Armênia, Irã e outros. Quando usamos o termo dança oriental, na verdade estamos traduzindo do árabe “raks el shark”, o que pode confundir com as danças do extremo oriente, ou indianas, mas estas são outras modalidades de dança, por isso prefiro usar a expressão dança oriental árabe.
Quais serão os períodos de realização dos módulos do curso?
O curso terá três módulos de cinco meses cada, um domingo por mês com carga horária de seis horas. O curso inteiro totalizará 90 horas aula. O primeiro módulo tem início previsto para fevereiro de 2012. Os módulos serão divididos da seguinte forma:
Módulo 1 – “SABER” Conceitos de Base
Temas - História geral, história da dança, história da música árabe, estrutura da música árabe, ritmos, anatomia e fisiologia, princípios do ballet clássico, aspectos culturais e essenciais que diferenciam a dança oriental da ocidental.
Módulo 2 – “SENTIR” Dança Oriental, Folclores e Particularidades
Temas - Dança Baladi, Popular, “Raksa”, Dança Cênica, Instrumentos de cena, Folclores (dabke, raks al assaya, zaar, khaligee, jarro), Técnicas corporais avançadas, Gestuais e significados, dança coreografada e dança improvisada.
Módulo 3 – “FAZER” Profissionalização e Diferencial
Metodologia de ensino para níveis diferenciados de aprendizagem, preparação para cena, palco e luz, como montar um show, a importância e preparação para obter o DRT, conceitos básicos de administração, marketing e direito, ética profissional, leitura musical avançada, desenvolvimento do estilo pessoal e preparação para a música ao vivo.
O público alvo do curso são pessoas praticantes de danças orientais que já estejam em nível avançado e que queiram se profissionalizar, bem como professores que gostariam de aprofundar e reciclar seu conhecimento no assunto. As vagas serão bem limitadas de modo a não prejudicar a qualidade do aprendizado. O corpo docente é altamente selecionado. Os professores confirmados são Cláudia Parolin (bailarina), Cláudio Kairouz (músico), Cristina Antoniadis (pesquisadora e dançarina), Fadua Chuffi (bailarina), Leandra Yunis (historiadora e dançarina), Hanna Hadara (bailarina), Márcia Dib (pesquisadora e dançarina), Sami Bordokan (músico), William Bordokan (músico) entre outros.

A pesquisadora e dançarina Cristina Antoniadis tem larga experiência na performance e no ensino das danças orientais. Em 2012, coordenará um curso de especialização voltado para a profissionalizar quem já tem prática na área. A atividade, que tem apoio do ICArabe, acontece ao longo de cinco meses, no Pandora Espaço de Danças. 

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“Dançar é natural, instintivo, universal”

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Leandra Yunis, dançarina e historiadora das danças orientais, se dedica à pesquisa de aspectos pouco abordados quando o assunto é dança. Coordenadora do Núcleo de Poesia e Dança do ICArabe, é responsável pela organização dos Diwans. Nesta entrevista, fala sobre a dança em geral e as danças orientais especificamente, suas referências teóricas e a importância da valorização da dança fora do espaço cênico.

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"Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî, ganha tradução inédita em português

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"Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî, ganha tradução em português
Safa Jubran, professora de Língua Árabe na Universidade de São Paulo, acaba de publicar a tradução em português do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî (Amaral Gurgel Editorial). O lançamento aconteceu na última segunda-feira, 29 de agosto, na Livraria da Vila, em São Paulo.
Nascido em Almeria, em 1029, onde iniciou seus estudos, completados mais adiante em Córdoba e em Toledo, o autor é conhecido como Sâid Alqurtubî (o cordobês), Sâid Attulaytulî (o toledano) e, entre os orientais, como Sâid Alandalusî, o espanhol.
Embora dominasse várias áreas do saber, destacou-se como historiador das ciências. As biografias elaboradas por ele, as quais resultaram neste livro, representam um instrumento imprescindível para o estudo da ciência antiga e medieval. 
Este livro é uma das quatro obras do autor e a única cujo texto sobreviveu; dele sabe-se da existência dos outros três. Trata-se de uma das primeiras histórias das ciências em língua árabe. 
Leia abaixo uma entrevista com Safa Jubran sobre o livro e seu processo de tradução.
Esta é a primeira tradução do livro "Hierarquia dos Povos" para o português?
Para o português, sim. Há uma tradução francesa, uma inglesa e uma espanhola. Na Introdução, analiso rapidamente cada uma delas, mencionando suas qualidades e falhas.
Como foi realizado o processo de tradução? Foi utilizado somente o texto original em árabe ou também traduções em outros idiomas?
Usei três textos árabes, nenhum deles é confiável, isto é, nenhum deles teve uma boa edição. Aliás, mesmo sendo reconhecidamente um dos textos clássicos mais importantes, não mereceu até agora nenhuma edição boa. Usei para o cotejo também um manuscrito da British Library numa datação posterior. Exatamente, estes três textos, mais as três traduções foram trabalhadas no livro; mas para a tradução, parti de um dos textos árabes, que julguei menos problemático. Durante a tradução, quando o texto apresentava problemas ou equívocos, eu cotejava com os outros textos e outras traduções e citava cada uma em nota de roda-pé.
De que forma o texto original foi preservado? Há alguma explicação sobre o fato de somente esta obra de autoria de Sâ’id Alandalusî ter sobrevivido?
Existem várias copias manuscritas deste livro, de épocas diferentes, em várias bibliotecas e coleções pessoais, algumas são acessíveis, outras não. Não se sabe por que este livro sobreviveu e os outros não, existem hipóteses e conjunturas, que não vêm ao caso agora pelos detalhes que podem apresentar. Mas é interessante saber deste livro que além de suas obras que não sobreviveram, sabemos de outras obras por outras pessoas que também não chegaram até nós, e aqui está um dos aspectos que constitui a importância desta obra.
Qual a importância desta tradução para o resgate e memória da cultura árabe e sua história?
Antes de tudo, é um obra de referência importantíssima da história das ciências produzidas até então (séc. XI), uma vez que resgata as produções dos antigos, os tipos de conhecimento cultivado por um dado povo. Trata-se na verdade de uma história universal, não só do povo árabe, que, neste livro, é contemplado por uma capítulo só.
A estrutura do livro que é interessante e original. O autor diz que os povos originais do mundo habitado eram sete: os persas, os caldeus, os gregos, os coptas, os turcos (várias etnias), os indianos e os chineses. Estes, segundo o autor, se dispersaram, suas línguas se ramificaram e também suas religiões, mas que, apesar das diferenças marcadas, podem ser divididos em duas classes: uma que se interessava pela ciência e outra não. Àquela classe que produziu e propagou conhecimento, o autor dedica o livro, elaborando um capítulo a cada um de seus constituintes, a saber: os indianos, os persas, os caldeus,os gregos, os bizantinos, os egípcios, os árabes e os hebreus. Sendo assim, os árabes mereceram um capítulo dentro desta pequena história das ciências. Como disse, a importância do livro não se restringe a cultura árabe mas a cultura universal.

Safa Jubran, professora de Língua Árabe na Universidade de São Paulo, acaba de publicar a tradução em português do livro "Hierarquia dos povos", de Sâ’id Alandalusî, obra imprescindível para o estudo da ciência antiga e medieval. 

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Dicionário Árabe-Português é resultado de 40 anos de trabalho

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Dicionário Árabe-Português é resultado de 40 anos de trabalho 
O Monsenhor Alphonse Nagib Sabbagh é um dos maiores estudiosos do árabe do país. Nascido no Líbano, veio para o Brasil em 1957. Criador do Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou sua vida à divulgação do idioma e da cultura de seu povo. No início deste ano, lançou o Dicionário Árabe-Português pela editora Almadena, obra a qual se dedicou por quarenta anos. 
Na entrevista abaixo, Monsenhor Alphonse Nagib falou ao ICArabe sobre a importância do idioma árabe, falado por mais de 300 milhões de pessoas, entre outros temas. 
O senhor lançou recentemente o Dicionário Árabe-Português. A qual público se dirige a obra e qual sua importância para o estudo do idioma árabe por falantes de português?
O Dicionário Árabe-Português, em primeiro lugar, se dirige aos leitores das línguas árabe e portuguesa, sem distinção.  Naturalmente, o interesse da cada grupo é diferente, de acordo com as suas necessidades.
Além do mais, a língua árabe tem fundamental importância na formação do léxico português e ocupa, também, lugar de destaque como uma língua de cultura, pela qual foram e são veiculados conhecimentos de toda a ordem.  
Deve-se considerar, também, o grande número de falantes, mais de 300 milhões, e aqueles que usam a língua do Profeta Muhammad, como instrumento litúrgico, cerca de 1 bilhão e 300 milhões de muçulmanos.  A partir desse ponto de vista, os árabes são ampla minoria entre os usuários de seu idioma natal.
Como foi o processo de produção do Dicionário? Quanto tempo o senhor levou neste trabalho? Houve colaborações de outros estudiosos e pesquisadores do idioma árabe?
O Dicionário é uma obra que nasceu naturalmente, decorrente da necessidade de apoio didático para o ensino do árabe na UFRJ.  O trabalho durou 40 anos e contou com o apoio institucional da UFRJ e com a colaboração de professores e de alunos do Setor de Estudos Árabes.  O trabalho lexicográfico não tem fim e nunca é completo. São necessários ajustes, atualizações e, por isso, é importante sua vinculação à uma instituição oficial.
O senhor possui larga experiência acadêmica e é criador do Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como avalia a forma com que a cultura e o idioma árabes têm sido divulgados no Brasil? Essa divulgação ainda é restrita ao ambiente acadêmico ou tem extrapolado para outros setores da sociedade?
No mundo contemporâneo, cada vez mais, impõe-se a necessidade do conhecimento do outro.  Os países árabes estão em evidência e presentes nos noticiários diários.  O brasileiro, em geral, tem curiosidade em se aprofundar em questões internacionais, que ocupam as manchetes.  Há, também, uma política de aproximação entre os governos dos países da América do Sul e dos países árabes, em busca de mercados alternativos.  Creio, assim, que há vários motivos para o aumento crescente pelo interesse da cultura árabe no Brasil.
Qual a importância da existência de editoras, institutos e demais instituições voltadas à promoção da cultura árabe no Brasil? 
Eu,que cheguei ao Brasil em 17 de novembro de 1957, em missão religiosa, recebi do Patriarca Melquita Maximus Saiegh a incumbência de divulgar a língua árabe no País.  Fiz o que me foi possível.  Vejo com muita alegria os avanços dos Centros de Estudos Árabes da USP e da UFRJ, produzindo trabalhos de qualidade, que envaidecem qualquer imigrante árabe. 
Com satisfação, constato segmentos editoriais voltados para a publicação da produção acadêmica sobre a língua, a literatura, a cultura árabe e árabe-brasileira. Parabenizo, também, o ICArabe por sua capacidade de difundir a cultura árabe entre os brasileiros, sem partidarismo inócuos, sendo porta-voz dos vários segmentos, que compõem a sociedade árabe no Brasil, possibilitando o diálogo livre, democrático e o debate de ideias.
Gostaria,por fim, de informar, aos interessados na aquisição do Dicionário Árabe-Português, que poderão adquiri-lo, com significativo desconto, pelo site:  www.almadenaeditora.com

O Monsenhor Alphonse Nagib Sabbagh é um dos maiores estudiosos do árabe do país. Nascido no Líbano, veio para o Brasil em 1957. Criador do Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou sua vida à divulgação do idioma e da cultura de seu povo. 

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“Os manos de Alá” traz histórias de jovens brasileiros que optaram pelo Islã

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“Os manos de Alá” traz histórias de jovens brasileiros que optaram pelo Islã
Atualmente, o islamismo é a religião que mais cresce no mundo. No Brasil, sua expansão tem acontecido principalmente nas periferias das grandes cidades, por meio de homens e mulheres jovens, boa parte deles negros. É dessa constatação que parte o documentário “Os manos de Alá”, dirigido pelo jornalista e documentarista Luiz Carlos Lucena. 
Em aproximadamente uma hora, o filme apresenta depoimentos de brasileiros que se tornaram muçulmanos pelas mais diversas razões. Alguns se aproximaram da religião por curiosidade, outros foram apresentados a ela por parentes. Em comum está a busca por paz de espírito e demais respostas encontradas por estes jovens no Corão, livro sagrado do Islã.
Lucena colheu os depoimentos que compõem o documentário em mesquitas espalhadas pela cidade de São Paulo e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. No começo do trabalho, foi recebido com desconfiança pelas pessoas que haviam tido experiências negativas em entrevistas para a imprensa comercial. Em São Paulo, o diretor visitou mesquitas na Praça da República, região central da cidade e no Brás. 
São esses depoimentos que dão o tom do filme. O diretor optou por deixar os entrevistados livres para expressar suas crenças e opiniões, não recorrendo a recursos como narração ou mesmo procurando especialistas que fizessem análises acadêmicas do assunto. 
Islã e hip hop
Um dos aspectos que mais chama a atenção no filme é a relação que diversos entrevistados estabelecem entre a religião e o hip hop, expressão artística da cultura negra que se apresenta em elementos como dança, música, grafite e poesia. Segundo Lucena, essa aproximação entre dois mundos aparentemente opostos se deu a partir da busca pelo conhecimento, que é comum tanto ao hip hop e à religião islâmica. “Muitos artistas ligados ao rap são muçulmanos, especialmente nos Estados Unidos, e esses jovens começam a ouvir suas músicas, que contêm muitos conceitos ligados ao islamismo”, explica. Um exemplo é o DJ Afrika Bambaataa, figura de referência do hip hop e muçulmano. 
A ligação entre o Islã e o movimento negro inclusive não é recente. Nos Estados Unidos, grandes ícones da luta por direitos civis e antirracista adotaram o Islã como religião, como Malcolm X e o boxeador Muhammad Ali. No Brasil, um episódio pouco conhecido é a Revolta dos Malês, movimento insurgente ocorrido na Bahia em 1835, capitaneado por escravos de religião islâmica que buscavam sua libertação.
Mulheres
Outro elemento interessante é a grande quantidade de mulheres que se tornam muçulmanas. Segundo estatísticas apresentadas por alguns entrevistados, entre dez pessoas que se convertem ao Islã, sete são mulheres. No documentário, diversas entrevistadas declaram que o estigma que cerca a religião muçulmana em relação ao papel subalterno das mulheres não corresponde à realidade. Os depoimentos ressaltam também a tolerância que existe em relação ao uso do véu. 
Leia a seguir a entrevista completa com Luiz Carlos Lucena, diretor do filme “Os manos de Alá”
Como você se interessou pelo tema do filme “Os manos de Alá”? 
Comecei a ler sobre o tema aos onze anos, ainda no colégio. O Corão sempre despertou minha curiosidade, as palavras em árabe também. Quando li uma reportagem sobre o crescimento do islamismo na periferia de São Paulo, achei que era um tema interessante para um documentário. Inscrevi o projeto em um edital do Ministério da Cultura, que financiaria documentários em rádio e fui aprovado. Aí aproveitei e fiz também o filme. O programa de rádio ganhou menção honrosa do Ministério.
O crescimento da religião islâmica no Brasil está restrito aos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, que são os que aparecem no filme?
Não somente. Há grupos em Curitiba, na Paraíba e em outros estados do Nordeste. No Rio Grande do Sul há uma grande produção de comida para o mercado islâmico e também muitas pessoas que praticam a religião.
Apesar do grande número de mulheres que optam pela religião islâmica, o filme mostra apenas homens nos espaços das mesquitas e rezando. Por que?
Os espaços para as rezas são diferentes para homens e mulheres, eles ficam separados para que as mulheres possam ter seus momentos para rezar. Eu não quis invadir esses espaços para filmar. 
Boa parte dos entrevistados coloca que a religião islâmica é estigmatizada, mas declara nunca ter sofrido intolerância individualmente. Por que?
Acredito que a imprensa não agride pessoalmente. O que existe é mais curiosidade em relação à religião islâmica e não intolerância. O estigma existe em nível mundial, criado pela mídia, sobretudo americana.
E a que você credita essa relação estreita entre o islamismo e o hip hop que existe nas periferias brasileiras?
O hip hop tem forte conteúdo político, é uma expressão do movimento negro. O rap é música americana, politizada. Esses jovens começam a ouvir esse tipo de música e fazem a relação. O DJ Afrika Bambaataa, que é uma das referências do hip hop traz conceitos islâmicos em sua obra. O Islã prega a busca pelo conhecimento e o hip hop também.
Como será a distribuição do filme “Os manos de Alá”? Onde ele poderá ser assistido?
O filme será exibido em centros culturais, universidades e festivais. Estou inscrevendo em diversos festivais e a partir dos resultados pode ser que haja uma exibição no circuito comercial. 

Atualmente, o islamismo é a religião que mais cresce no mundo. No Brasil, sua expansão tem acontecido principalmente nas periferias das grandes cidades, por meio de homens e mulheres jovens, boa parte deles negros.

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